quarta-feira, 14 de março de 2012

O dilema do ovo e da galinha

Caio não nasceu pequeno. Pesou, na maternidade, 3,790 kg.

Na checagem da primeira semana, quando a maioria dos bebês perde peso – podem perder até 10% – Caio, que poderia ter diminuído até 380 gr, tinha apenas 50 gramas a menos!

Passada mais uma semana, chegou a 4 kg certinho, ou seja, tinha aumentado 260 gramas, o que, segundo li, já é mais que a média (30 g por dia = 210 por semana).

Na semana seguinte, manteve o seu padrão: mais 260 gramas, num total de 4,260 kg.

E na pesagem desta semana, quando eu de fato já tinha sentido nos braços, especialmente na madrugada quando tiro Caio do moisés sem me levantar da cama, apenas com a força dos braços (aliás, falta pouco pra eu ter que me levantar), que ele continuava – ainda bem – ganhando peso, eis o resultado: 4,640 kg!! Ele engordou 380 gramas em sete dias!

Ah, faltou dizer que ele já cresceu ao menos 4,5 cm!

Não é à toa que ele mama bem. Na madrugada, mantém a média de intervalos de sono de 3 horas e meia a 4 horas entre as mamadas. Mas durante o dia este intervalo pode ser de 2 horas, chegando à noitinha às vezes a apenas 1 hora (segundo a midwife, ele está se preparando para um boa noite de sono com intervalos maiores).

Diante desse quadro, eu me pergunto: Caio está crescendo bastante porque mama muito ou mama muito porque está crescendo bastante? J

quarta-feira, 7 de março de 2012

A DANÇA DAS 7 NOITES

Noite 1 – No hospital

Antes de dormir, Caio aprendeu a sugar nos dois peitos e troquei a primeira fralda. Estávamos ambos tão cansados que a noite passou relativamente tranquila. Caio dormiu direto por 3 horas, ao meu lado, num moisés transparente. Eu me acordava a cada sobressalto dele (que hoje sei ser normal em recém-nascidos), isto é, a cada poucos minutos eu abria meus olhos e me certificava de que estava tudo bem. Nesta noite, pois, dançamos um reggae!

Noite 2

Primeira noite em casa. A pior de todas até hoje. Estávamos todos cansados. Desde o momento em que tivemos alta, esperamos mais de 4 horas pela pediatra, que tinha de fazer uma última checagem no Caio e que estava antes lidando com casos de cesariana, mais urgentes. Acabamos chegando em casa perto das 11h. Sem tempo de nós mesmos nos habituarmos à nova situação, entre mamadas teve muito choro e diversos questionamentos da nossa parte: será que é fome? será que são gases? será que tenho colostro? seria frio? calor? Quando finalmente ele dormia um pouquinho, eu não tinha coragem de apagar a luz do abajur, e acabava não relaxando. A dança da noite: punk rock.

Noite 3

Melhor que ontem, pior que amanhã. Menos choro, mas Caio estava ligadaço. Acordava facilmente – muita luz? – e só dormia de novo se o embalássemos. Ainda assim, no total dormi 4 horas, que, comparado a ontem, me deixaram feliz. A dança da noite foi house music – não foi tão pesada, mas estava tocando constantemente.

Noite 4

Compramos uma luzinha bem fraquinha, que tem um sensor (só acende quando não há claridade nenhuma). Tudo mudou! Quando Caio acordava, voltava a dormir imediatamente. Despertou para mamar apenas e teve períodos de sono de 3 horas, 3 horas e pouco. Espetacular! Assim, esta noite fomos mesmo embalados por canções de ninar!

Noite 5

Caio estava insaciável das 9 h da noite à 1h30 da madrugada. Depois, no entanto, dormiu longos períodos de no mínimo 3 horas entre as mamadas. A noite começou, então, com Carmina Burana, mas terminou com a leveza de Vivaldi!

Noite 6

Ahhh, se todas fossem iguais a você...! Ótima noite! Dormindo desde as 9h30, acordando para mamar e voltando a dormir. Posso pedir para ser sempre assim? Dormimos ao som da calma contagiante do Adágio de Albinoni!

Noite 7

De novo, Caio estava inquieto das 6h30 às 10h30 da noite. Depois, ótima noite, com os usuais longos períodos de sono. Queria poder dormir sempre assim: embalada pela suave melodia da respiração do Caio quando dorme profundamente. Não há música melhor!

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

PARTO

Parto para terras ao longe, desconhecidas por mim
Parto para perto do que sou essencialmente
Parto-me em três ou quatro de mim
Parto-me em dois distintos seres
Parto...

Quarta-feira, 15/02, 2h30 da manhã. Começo a sentir leves contrações que se repetem a cada meia hora. Depois de já ter tido um falso alarme, me pergunto: será que Caio está chegando? Passo a manhã de quarta sentindo as ainda leves contrações ficarem mais próximas. À medida que a tarde se vai, elas vão ficando também mais fortes, porém ainda curtas – duram entre 30 e 40 segundos. Ligo pra midwife. Ela diz que ainda pode evoluir ou cessar – esperemos. Poucas horas mais tarde, contrações mais intensas e durando de 50 segundos a 1 minuto. Ligo pra midwife de novo; ela vem aqui em casa. São 8.30 da noite. Em princípio diz que estou na fase do pré-parto, pois as contrações do primeiro estágio do parto em si duram de 1 minuto a 1 minuto e meio. Mas aí verifica que já estou com 3 cm de dilatação – “labour established”, me diz. Pode ser que a minha maneira de fazer o trabalho de parto seja assim, com contrações mais curtas. Ela vai embora esperando telefonema meu a qualquer momento para irmos pro hospital; quando as contrações tiverem intervalo de 3 minutos.

Duas horas depois, entre respiração e “vocal toning” (do yoga) para me aliviar as contrações, preciso ir para a maternidade, que aqui é uma ala do hospital. Chegamos lá – eu acompanhada da mãe e do De – pelas 11 horas. Os 12 quartos de parto, superbem equipados como se pode ver nas fotos, todos ocupados. Muitos bebês por nascer! Esperamos uma hora e o quarto número 8 é liberado pra gente. Eu estava então com 5 cm de dilatação.

Vou direto pra banheira, onde passo as próximas duas horas. A Antonia sempre atenta a tudo, e muito atenciosa comigo. Embora a água morna me aliviasse a dor que irradiava pelas costas durante as contrações, estas vão ficando cada vez mais intensas (mas com a mesma duração), e respirar durante o processo já é um desafio. Escuto ao longe as vozes das minhas cantoras preferidas (fiz uma seleção de música especial pro parto), numa tentativa de deixar o momento mais prazeroso. A midwife faz a verificação enquanto estou na banheira mesmo e se empolga – parecia que eu já estava quase lá! Tento o gás pra aliviar a dor, mas não me dou bem com ele.

Aí a Antonia pede que eu deite na cama pra ela conferir a dilatação de novo, porque segundo ela na banheira é mais difícil ser precisa. E foi aí que a esperança de um parto rápido e fácil se esvaiu. Na realidade eu ainda estava com 6 ou 7 cm, e ela ainda podia sentir um pouquinho da cérvix no caminho, e que parecia que por alguma razão estava inchada. Ela me diz que o parto pode durar umas boas horas ainda, e que esse era o momento de conversarmos sobre analgesia.

Decido pela epidural, pois minha sensação é de que eu já estava no limite da dor. O anestesista ainda leva uma meia hora pra chegar, me avisa de todos os possíveis efeitos colaterais, mas eu digo “sim”. Quando se fala em parto normal com epidural, pra mim dá-se a impressão de que a anestesia é um procedimento simples, basta colocar uma agulha na coluna. Ledo engano. Já não se pode comer ou beber nada, então ficas recebendo fluidos através da veia da mão. Milhares de fitas grudadas nas costas, não podes te mexer durante o procedimento tenhas a contração que tiveres, e depois disso, vários aparelhos te monitorando (as contrações, os batimentos cardíacos do bebê), catéter. Ou seja: estás agora “presa” a cama. Ao menos, em uns minutos eu já não sentia as contrações e pude descansar por umas duas horas. Já eram 3h da manhã.

Na verificação das 5h, Antonia constata que a situação está praticamente a mesma: 7 cm de dilatação e a cérvix inchada no caminho. A epidural começa a perder efeito e agora então tenho um analgésico controlado por mim mesma. Um botãozinho que aperto quando sinto que preciso de mais. Não há perigo de overdose pois só me é permitido apertar o botão a cada dez minutos e no máximo quatro vezes por hora. A partir daí o efeito da analgesia já não é o mesmo: volto a sentir as contrações, embora de forma bem mais leve, mesmo apertando no botãozinho. Nas próximas horas começo a sentir também o desconforto de estar por tanto tempo na mesma posição, e a dor que irradia pelas costas a cada contração já não me deixa mais. Pra mim é pior que a dor do útero contraindo. Ficamos ali a ouvir os batimentos cardíacos do Caio, que aumentam ou diminuem a cada contração. Ao menos, sabemos que ele está bem.

Pelas 7h Antonia faz novo checking, e me entristece saber que já não dilato mais – 7 cm foi o máximo a que cheguei naturalmente. Ela fala com a equipe médica e resolvem me dar ocitocina para que eu alcance os 10 cm almejados. Antonia também me diz que vem um médico me ver pra tentar entender o que significa a cérvix inchada.

Às 8h muda a equipe médica de plantão do hospital, e o médico chefe vem falar comigo. Com uma simpatia e atenção primorosas, ele me diz que a cabeça do bebê não está bem encaixada na pélvis, além de estar “deflex” (como se fosse com o queixo levemente pra cima, quando deve ser pra baixo, próximo ao seu peito), que talvez seja esse o motivo de eu ter parado de dilatar. Ele tenta virar o bebê com a própria mão, mas não consegue. Esperemos mais pra ver se a ocitocina consegue estimular a dilatação. Ele me diz que como sou uma mulher grande, tendo dilatação vai dar pro parto ser normal, que há espaço pro bebê passar. A essas alturas, todo o meu corpo dói, e a espera de mais algumas horas me parece uma eternidade. Começo a me questionar sobre vantagens e desvantagens de cesariana x parto normal. Começo a me questionar se quero mesmo ter outro filho depois. Parece no momento que toda dor é dor demais...

Um par de horas depois, o médico volta e constata que a situação é praticamente a mesma, com a diferença de que dilatei mais 1 cm. Estava uma média de 1 cm a cada duas horas...

E quando o médico retorna às 11h da manhã, me diz que embora eu só tenha chegado a 9 cm de dilatação, a melhor opção é tentar a ventosa (acho que se fala “vácuo” aí no Brasil) pra arrumar a cabecinha dele, e, dependendo do que acontecer, fórceps. Apesar da tristeza de ouvir essa palavra – fórceps –, o Dr. Abel me passa tamanha segurança que não fico nervosa e sinto até um certo alívio por saber que o Caio logo estará comigo.

Uns minutos depois entram no quarto mais um obstetra, uma pediatra e o anestesista. Cada um que chega vem falar comigo, se apresenta, troca uma ideia com um carinho até, eu diria, na voz que é acolhedor. Esse tratamento ajuda demais. A sensação é justamente de acolhimento; não tem palavra melhor.

O anestesista me dá então uma carga boa de epidural, testa a minha sensibilidade com gelo, me deixa pronta pra não sentir absolutamente nada.

O Dr. Abel organiza a mãe à minha direita, De à minha esquerda, midwife ao lado do De pra monitorar as contrações, o outro obstetra e a pediatra também se posicionam, e aí vamos nós.

A ventosa não surte efeito. Vejo o Dr. pegando o fórceps e me invade uma tristeza... Viro pra mãe e falo: que peninha do Caio, mãe... Fui introduzida ao sofrimento de mãe nesse instante. A Antonia então me avisa dos momentos da contração, me pede três “big pushes” em cada uma, enquanto o médico vai puxando o bebê pra fora. Estranho fazer força quando não se sente pra onde a força está indo. Na segunda contração, mais três pushes, a mãe me dizendo “isso, filha, ele tá vindo”, e o Caio nasce. Eram 11:24 da manhã do dia 16/02. Colocam ele 10 segundos no meu peito (num parto mais “normal”, esse tempo seria aquele que eu quisesse), não contenho as lágrimas, escuto no pé do ouvido as da mãe, e a pediatra vem pegar o Caio pra fazer o checking, que numa situação - de novo - mais “normal” é feito pela própria midwife.

Nesse meio tempo, enquanto ouço o chorinho do Caio, Antonia me aplica mais ocitocina, agora pra placenta ser expelida. O pediatra mais novo se encarrega desta parte, “massageia” minha barriga, e logo a placenta vem – uma placenta bem saudável, disse ele.

A pediatra volta, diz que meu bebê é muito saudável e passa bem. Me parabeniza, me dá um sorriso e se despede.

Depois, recebo a notícia de que ouve um rasgo de terceiro grau que precisa ser cuidadosamente suturado. O Dr. Abel começa o trabalho. Ainda não sinto nada na região. Fico louca pra essa parte terminar pra eu poder pegar mais meu bebezinho, mas o De já está com ele e traz o Caio pro meu lado. Todo enrugadinho, a cabeça pontudinha pra cima por causa do mau posicionamento na pélvis (vai normalizar em 24 horas, já tinha me dito a médica), mas um bebê saudável e forte. Vejo o De emocionado. Ele divide comigo que se surpreendeu demais com a força que um médico grande como o Dr. Abel teve que fazer pra tirar o Caio de lá. Vejo as marquinhas do fórceps próximas às orelhinhas dele. Ai, que dor no coração pensar que ele teve que vir ao mundo desta maneira agressiva. Sim, o fórceps me parece agressivo, apesar de eu mesma não ter sentido nada...

O Dr. então termina a parte dele, diz que quer me ver na sua clínica em seis semanas, se despede, eu lhe agradeço muito pelo bom trabalho e pelo apoio e segurança, e ele passa a linha e agulha pro outro pediatra, que ainda leva um bom tempo terminando os pontos.

Uma hora depois de o Caio nascer, volto a tê-lo em meus braços. Sinto que ainda tem muita lágrima pra cair. Muita coisa nas últimas horas. Após um tempo a Antonia pesa o Caio, sugere que eu tome um banho enquanto ela e o De colocam uma roupinha nele. Levantar daquela cama depois de mais de nove horas foi aliviante, dolorido, desafiador... tudo ao mesmo tempo. E nunca pensei que tomar um banho pudesse ser tão difícil.

Umas horas mais tarde sou levada a um quarto individual, e passo esse dia e o próximo sendo superbem atendida pela Antonia e pelas midwifes de plantão, dia e noite. O fato de ter sido um parto assistido (o nome “bonitinho” pra parto com fórceps) fez todos terem comigo mais cuidado, me checando e ao Caio de tempos em tempos, me trazendo os medicamentos nas horas certas, sempre interessados em saber como estávamos nos sentindo. Passei a primeira e única noite no hospital sozinha com o Caio – não permitem que outras pessoas fiquem. Mas não foi difícil como eu pensei que seria, pois cuidado com a gente não faltou. 

De manhã a midwife de plantão me diz que eu tive a “very independent night” – pois não precisei delas pra cuidados com o Caio – e virando pro Caio: “you have a very good mother!”. Isso foi bom ouvir. Nessa manhã ainda vejo o relatório do parto e leio que o Caio nasceu com o cordão em volta do pescoço (que nem a mãe nem o De tinham me dito, pra não me abalar mais). Não estava apertado, dizia no relatório, mas estava lá. Aí eles confessaram que ver isso e o médico desenrolando o cordão imediatamente à saída do Caio foi também parte do choque. Mais um motivo pra minhas lágrimas rolarem.

Enfim, como disse o De, acabou acontecendo tudo que a gente não queria que acontecesse: epidural, pouca dilatação, ocitocina, ventosa, fórceps, cordão umbilical, rasgo. Mas a estrutura física e o tratamento e apoio prestados por parte de toda a equipe foram tão incrivelmente bons que o processo e o resultado final acabaram sendo os melhores possíveis pras circunstâncias. Quanto de dinheiro gastamos? Absolutamente nada.

No fim das contas, no dia seguinte já me sentia bem, minha sutura foi tão bem feita que não me incomoda, e acabei recebendo alta naquela noite. Volto a pensar que um parto normal, ainda que em realidade tenha sido meio “anormal”, é melhor que uma cesariana.

Deixo o hospital tranquila e agradecida por ter tido meu filho na Nova Zelândia. É essa gratidão estranha, sentida por um país. Um país que também tem seus defeitos, claro; mas que sabe investir naquilo que tem de mais precioso – sua gente. E ser tratada do começo ao fim com dignidade (sendo eu dos direitos humanos, como não mencionar isso?) não tem preço, não é sequer um direito que temos – é uma prerrogativa nossa, respeitada na Nova Zelândia. E que é crucial, definidora, fundamental.

Assim, parto feliz.






sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

39 weeks and counting…

Como estou me sentindo no momento…? Bom, minha mãe chegou quarta de manhã, então agora o Caio não precisa mais esperar pela avó, como eu tinha dito pra ele!

As duas últimas semanas foram diferentes das anteriores. Primeiro, simplesmente não tive mais cãimbras. Minha coluna anda mais sensível, mas só dói se por acaso carreguei peso ou fiz esforço físico demais, o que obviamente eu tenho evitado. Na verdade a última vez que doeu mesmo foi quando voltei de Auckland, porque tive que carregar uma mochila de alguns poucos quilos nas costas – embora leve, me detonou ali bem no meio da coluna (eu vim de Auckland sozinha de avião quando o Vítor voltou pro Brasil. O De teve que vir antes pra Wellington porque trabalhava). E esses dias à noite senti um certo desconforto nas costas porque fiz muita limpeza na casa, mas afinal minha mãe chegava no dia seguinte e eu tinha que caprichar!
Tirando isso, semana passada me deu infecção urinária de novo! Muito ruim especialmente quando se está na 38ª semana. Mas já fui medicada, já fiz o tratamento e tô bem e forte de novo.

Nas últimas duas consultas com a midwife, que agora são semanais, fiz acupuntura. Nunca tinha feito antes. Estamos trabalhando pontos que vão ajudar minha cérvix a afinar e meus músculos e ligamentos a afrouxarem quando tiverem que afrouxar. Ela disse que semana que vem a gente pode mexer nuns pontos mais específicos ainda pra estimular o parto. Dizem que quem faz acupuntura dificilmente passa da data de previsão. Vamos ver!

Eu sei que por agora os movimentos do bebê diminuem, pois já não há tanto espaço. Mas no domingo, depois de ficar horas a fio sem sentir o Caio mexer, me bateu uma nóia que eu tive que ir no hospital ver se estava tudo bem com ele. Claro que eu imaginava – e torcia – que não seria nada, mas quando pensas no que tens a perder se for algo, já não hesitas. Desta vez o tratamento no hospital deixou a desejar. Eu achei melhor ir lá na emergência (eu só queria que me colocassem pra ouvir o coração dele!), onde quem está no turno já está trabalhando, do que ligar pra midwife num domingo à tarde. Ai, gente, eu sou assim, não gosto de incomodar as pessoas ainda mais quando eu achava no fundo que não ia ser nada. Mas no hospital me disseram que eu tinha que ligar pra ela antes. Então foi o que eu fiz. Ela disse pra eu tomar algo bem gelado, me deitar e que se ele não mexesse, que eu ligasse pra ela de novo, que ela viria na minha casa. Tomei um delicioso milkshake de morango (sugestão do De que sabe que eu adoro e que estava me vendo cabisbaixa), deitei e aí ele mexeu muito, forte e nítido como sempre. Que alívio!

O quarto do Caio está pronto e, a pedidos, coloco umas fotinhos aqui pra vocês (se clicar nas fotos, dá pra ver maior). Eu digo que a nossa casa aqui na NZ é a “recycling house”, porque quase tudo o que a gente tem é de segunda mão. Pro quartinho do Caio não foi diferente: móveis usados (mas bem conservados, claro!) e a criatividade dos pais dele juntamente com presentes dos amigos pra fazer a decoração! Foi uma delícia essa parte, aliás! E às vezes me pego entrando no quarto só para ter momentos de contemplação! J

No mais, oficialmente comecei minha licença-maternidade no dia 1/2!



segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Chá de bebê n. 3


Antes do Natal já tínhamos combinado, eu e Cris, que em janeiro faríamos nosso chá de bebê juntas, já que temos muitas amigas em comum.

Decidimos que nós ofereceríamos a comida e deixaríamos as meninas à vontade pra trazer o que quisessem pros bebês, ou contribuir no “wishing well”, ou simplesmente aparecer pra uma tarde agradável!

Convidamos tanto nossas amigas brasileiras quanto as kiwis (outras três grávidas!). Mas no fim as brasileiras predominaram – eram 4 neozelandesas contra 16 brasucas!

Eu e a Cris não somos assim muito convencionais, então a gente mesma organizou, convidou, preparou tudo (com exceção dos brigadeiros maravilhosos que Lu e Anabel trouxeram! Obrigada, meninas!), além de termos decidido que não ia ter nada dos joguinhos típicos de chá de bebê! J

Mas o que teve, isso sim, foi o momento de abrir os presentes! Cada coisa fofa! Desde roupinhas superestilosas até acessórios, cobertinhas, livro, brinquedos, fraldas...! Caio ganhou até uma malinha pra viajar! Adoramos, meninas!

Enfim, foi ótimo! Completou o ciclo de chás de bebês especiais desta gravidez! E Cris e eu terminamos o dia felizes!

FOTO: Eu, Flavia, Cris, Ana, Bec.

P.S. : Tem uma história engraçada que tenho que contar. Pra quem não sabe, tanto o De quanto o Felipe, marido da Cris, surfam. A Anabel deu de presente pro Caio e pro Theo uma roupinha linda inspirada nos pais deles. Theo ganhou uma bermuda de surfista e uma camiseta com os dizeres “extreme explorer”. Ficou muito lindo o conjuntinho “surf”. Caio ganhou uma calça superestilosa com uma camisa de gola, não social, óbvio, mas uma roupa que um surfista ou skatista usaria quando tem que se arrumar melhor, eu diria. Lindo, lindo! E quando tirei do pacote alguém logo falou “mini Decarlos”, com o que eu concordei na hora, e foi só depois desse comentário que a Anabel disse que a ideia era essa mesma! Bom, depois do chá fomos as duas pra casa da Cris (o chá foi na minha casa), eu pra pegar o De. Aí eu contei pra ele do presente da Ana, que o do Theo era de surf e o do Caio era uma calça e uma camisa de gola, sem mencionar que era superestiloso, só pra ver a reação dele! Hahaha Foi engraçado! Felipe começou a tirar sarro do De dizendo “Decarlos Datacom” (que é a empresa onde ele trabalha, e onde ele vai muitas vezes mais social mesmo!), e o De pareceu preocupado com a imagem que ele tem na “turma”, afinal “eu também surfo, poxa; também sou explorer do mundo!” Depois dessa eu até disse pra ele que era lindo, cheio de charme, mas ele só se convenceu ao chegarmos em casa, quando mostrei o presente. Aí ele viu e falou: “ahhhhhh, gostei!” J
Pra galera não ficar na curiosidade (tá amassadinha porque eu já lavei mas não passei!):



terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Chá de bebê n. 2


Tendo uma família grande tão cheia de mulheres que são importantes pra mim e que, mesmo de longe, dão um jeito de participar da minha vida, eu e a mãe tivemos a ideia de fazer um chá de bebê à distância pras queridas tias e primas do Brasil.

A mãe organizou quase tudo – o menu, a lista de convidadas (obrigadíssima, mãe!). Entre as minhas funções, mandar o email-convite e aparecer no dia e hora marcados no skype pra uma conversa com cada uma delas! Acho que fiquei com a parte mais legal! J

O chá foi marcado pra sábado à tarde no Brasil, domingo de manhã na NZ. Levantei cedo, tomei café, me arrumei, e às 9h da manhã em ponto estávamos eu e a mãe conectando.

A mulherada então foi entrando no escritório, cada uma com sua taça de champanhe, e fizemos um brinde virtual!!

Depois disso fui batendo um papinho com cada uma delas – tias Piacentini, tias Queiroz, primas Piacentini, primas Queiroz, e ainda os bebês foférrimos João Álvaro, Leonardo e Gabriel. Tinha fila pra sentar na frente do computador! hehe

Teve ainda a participação breve mas especial da Dani e do Henrique, sem falar nos tios, que aproveitaram pra tomar um vinho com meu pai.

No segundo contato, o De já tinha acordado e foi uma chance de falar mais calmamente com algumas!
Além de um “wishing well” com fundos pra comprar fralda pro Caio por vários e vários meses (a mãe está trazendo os recadinhos de vocês; depois agradecerei de forma pessoal a todas!), o Caio ganhou mais presentes, roupinhas, protetor de berço feito especialmente pra ele, cd... que menino de sorte!!

Os momentos marcantes foram muitos; posso destacar alguns: nos primeiros instantes quando fui vendo o pessoal entrar no escritório, cada uma que aparecia me despertava um sorriso e uma empolgação; o brinde em si; a emoção no contato com a tia Perpétua (pela primeira vez vi a tia não segurar a emoção – eu tb não segurei, mas isso pra mim é de praxe!); a Telma me contando como o Caio já está presente nos Piacentini, sendo mencionado sempre como alguém que já está entre nós, como um membro já superintegrado na family; o sorriso incrível do João Álvaro (que tem 1 ano e meio apenas) pra essa prima que ele mal viu duas vezes na vida, como se reconhecesse o carinho que eu já tenho por ele; o tio Diomário dizendo que nunca tinha ido a um chá de bebê antes (hehehe); a Lia falando que o De já foi eleito o pai do ano pela sua participação na gravidez; o papo mais tranquilo (como se estivéssemos fisicamente lado a lado) com as primas no segundo contato... dá até medo de mencionar destaques e alguém se sentir esquecida, porque a verdade é que cada segundinho pra mim foi superespecial, cada tia nos contando das últimas da sua família, do quanto estão felizes pela gente, tudo enfim... Nos sentimos – nós três aqui – muito amados, e aquele sentimento que sempre está comigo do privilégio que é ter famílias como as que eu tenho só se fortaleceu, se é que isso ainda é possível!

Eu me programei toda pra filmar tudo, mas acabei apertando o botão errado no primeiro contato, no segundo a bateria acabou, e no fim só consegui gravar a conversa que tive pelo skype com a Olga (em Curitiba), que ocorreu entre o primeiro e o segundo acesso no chá! J De qualquer forma, na minha cabeça e no meu coração está tudo bem gravadinho; mais um daqueles momentos inesquecíveis!

Ainda sob a emoção desse superencontro, comecei a arrumar as coisas pro Chá de Bebê n. 3, feito na tarde de domingo junto com a Cris pras amigas da NZ. Mas isso é assunto para o próximo post!

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Pegando a estrada no oitavo mês

Quando combinamos com meu irmão a visita à NZ, eu já sabia que ia estar no oitavo mês de gestação. Mesmo assim, apostei nos cuidados que eu tive e teria durante toda a gravidez e no fato de eu me exercitar, e planejei toda uma viagem pelo país!

Claro que algumas coisas tiveram que ser diferentes. Por exemplo, já não ia dar pra acampar como faríamos de certeza se eu não estivesse grávida, e nem pra dormir em colchão no chão. Longas jornadas no carro também deveriam ser evitadas. Eu também não tinha planos de fazer trilhas, especialmente durante nossa viagem pela Ilha Norte (entre Natal e começo de janeiro).

Com tudo organizado, Vítor chegou no dia 8 de dezembro. No primeiro fim de semana, eu ainda com 31 semanas, fomos pra Kapiti Island e consegui fazer uma trilha de 4,5 km, de nível fácil a moderado, parando a cada 30 m nos 200 m finais da subida. E no fim, com a trilha terminada, eu me sentia esgotada, o corpo todo cansado. Pensei que essa seria a última.

Pouco antes do Natal saímos de carro a explorar a Ilha Norte. O primeiro dia de viagem foi o que teve a jornada mais longa na estrada – umas 5 horas. Mas foi tranquilo pra mim. Só que nas semanas seguintes isso mudou. Uma hora no carro sem paradas e eu já me sentia desconfortável.

Com tudo isso, ainda consegui fazer duas trilhinhas. Uma em Taupo, no dia 24 de dezembro, 50 minutos de caminhada, mas num lugar plano, em meio às geotermais! E outra em Coromandel, supostamente de 40 minutos, mas de nível mais moderado, com subidas e descidas. Na volta, Vítor levou 25 min, eu (com De) levei 50! O bom é que eu estava viajando com dois homens, e eles eram bem atenciosos comigo. Nas subidas nas trilhas eles até me puxavam!

Outra coisa é a vontade bem mais frequente de fazer xixi. Mas se a viagem é pela NZ, isso definitivamente não é um problema! Aqui tem banheiros públicos e limpos – que sempre têm papel higiênico – a cada esquina! Aí é só saber aproveitar cada parada!

Os cuidados com a alimentação continuam, claro. Mas o fato de o bebê já estar todo formadinho deixa a futura mãe mais tranquila se, por exemplo, não deu pra comer folhas verdes escuras ou tantas frutas num certo dia.

Enfim, há algumas desvantagens de viajar no terceiro trimestre, em vez do segundo, que é quando todos dizem que é a melhor época da gravidez pra sair em viagem. Mas há algumas vantagens também: acabas te mantendo bem ativa, fazendo caminhadas, em tudo os companheiros da trip te dão prioridade, até na escolha dos locais pra comer ou do que vai ser feito de comida, eles carregam as coisas pra ti, te puxam nas trilhas, sempre te perguntam se estás bem, em outras palavras, és o centro das atenções – não que eu sempre goste de sê-lo, mas quando estás com teu marido e teu irmão, isso é bom!! hehe Mas a maior vantagem, na minha opinião, é poder bater fotos de gravidez e da barriga, que agora está num tamanho legal, em lugares lindos e diversos!! O álbum da gravidez acaba ficando variado e interessante! Eu, que curto muito fotos em geral, adorei essa parte! Seguem algumas aqui: