sexta-feira, 20 de junho de 2014

(Me) Parto

Bom, comecemos do começo.

Minha DPP (data provável do parto) oficial era 20/5, mas para mim era mesmo dia 18/5 – explico: eu sabia que tinha ovulado no 12º dia do ciclo menstrual, não no 14º, e o primeiro ultrassom de todos, o que dizem ser o mais preciso em relação à DPP, tinha dado 18/5. Além disso eu adoro o número 18. Então pra mim sempre foi dia 18/5.

Na consulta das 39 semanas a médica fez o toque e se empolgou! Isadora já estava bem embaixo – a obstetra podia tocar na cabecinha do neném! – e meu colo do útero estava bem molinho, flexível, prontinho para um trabalho de parto que poderia começar a qualquer momento. Tentando não criar muita expectativa em mim, ela acabou deixando claro que não passaria de uma semana!

A expectativa já tinha sido criada. Em mim, no meu marido, nos familiares e amigos mais próximos. Fui me organizando ainda mais, fiz uma compra grande de supermercado, limpei aqui, arrumei ali, aproveitei dias lindos de sol pra caminhar na praia... eu estava pronta pra Isadora. Mas os dias foram passando e nada!

No domingo 18/5, senti pequenas contrações o dia todo, o que se repetiu na segunda, mas ficou nisso. Liguei pra médica e marquei a consulta das 40 semanas, que ela achava que nem existiria! Novo toque e... dilatação de 2 cm. Apesar disso, esta vez ela não demonstrou mesmo que achava que ia ser logo. “Pode ser logo ou pode demorar mais” me disse, enquanto me dava uma requisição para um ultrassom caso a bebê não tivesse nascido até as 41 semanas.

Investi no chá de canela com gengibre (hot tea) e nos outros dois “hots” (hot sex, hot bath). Tinha dias em que sentia pequenas contrações, dias em que não. E mais uma semana foi passando. Quando chegou na sexta-feira, eu já tinha decidido que àquelas alturas era melhor que Dora não nascesse no sábado, pois era a festinha de aniversário de sete anos do meu afilhado, e eu nunca tinha conseguido ir numa festa de aniver dele (sempre estava na Nova Zelândia). Então estava bem a fim de ir nesta. Domingo ou segunda seria perfeito, pensei, assim evitaria um novo ultrassom e até mesmo um possível embate com a médica, que já tinha me deixado claro que não gostava de deixar passar das 41 semanas...

Fui na festa do Arthur, conversei bastante, peguei bebês no colo, comi horrores! Voltei pra casa me sentindo diferente. No entanto, busquei possíveis explicações para aquela tensão que eu sentia nitidamente na barriga e no baixo ventre – terei ficado muito de pé? Comido muito? Carregado os bebês por muito tempo?

A noite transcorreu tranquilamente. Mas..........acordei às 7 h da manhã sentindo contrações mais fortes do que as da semana anterior. Resolvi tomar um banho quente pra conferir se elas continuariam. Saí do banho e chamei o De – honey, tô achando que agora vai!

Uma hora e pouco depois, no café da manhã, eu já não conseguia nem sentar. As contrações estavam mais fortes e aconteciam a cada 3 minutos. Neste dia tinha almoço de aniversário da minha madrinha e meu primo nos Piacentini. Liguei pra mãe e disse: Acho que não vai dar pra ir na festa!

Comecei também a me comunicar com a Gabi, minha doula. Fui ao banheiro e vi o tampão. Estava tudo indo tão rápido que – confesso – eu já estava até pensando na anestesia, pois naquele momento eu adoraria deixar de sentir a dorzinha das contrações. Gabi falou pra eu ir pra maternidade para uma avaliação, afinal de 3 em 3 minutos já é alta frequência! Combinamos de nos encontrar lá, apenas disse a ela que passaria antes na casa da mãe pra deixar o Caio.

Domingo, 25/5, era dia de Iron Man (competição de triátlon realizada em Florianópolis), o que significava que diversas ruas e avenidas estariam fechadas para o evento, inclusive aqui no Sul da Ilha. Logo lembrei de minha prima que teve sua filha, há 10 anos, neste mesmo fim de semana e teve que ir para a maternidade pelo acostamento!

Dentro do carro as contrações já estavam acontecendo a cada dois minutos e já era impossível eu não me contorcer e não falar “ai, ai, ai”. Engarrafamento básico pra entrar pra Costeira, único acesso disponível nesse dia... Eu só pensava em chegar na maternidade. Nas contrações ouvia a vozinha do Caio: “Ajuda a mamãe, papai!”; “Vai passar, mamãe!”, em meio a um risinho nervoso da parte dele... Liguei pra mãe e pedi pra eles irem pegar o Caio no hospital; não ia dar pra passar na casa deles.

Finalmente chegamos na maternidade. Eram umas 10 h e pouco da manhã. Ainda consegui dizer meu endereço, número de telefones, CPF, etc. entre uma contração e outra! Hehehe A moça da recepção disse que a Dra. Paula já ia me examinar. Fiquei feliz ao ouvir um nome de mulher (eu ia ter com o médico plantonista mesmo). Enquanto a Dra. Paula não vinha, a própria recepcionista já pediu meus documentos dizendo que pelo visto eu ia mesmo ser internada. Meus pais chegaram, dei tchau pro meu filho querido e segui no ai ai ai.

De repente, ploc... ahhhhh (isso foi eu dando um gritinho de susto) e aquele quentinho perna abaixo. A bolsa estourou! Fiquei uma estátua no meio da poça enquanto as meninas diziam pra eu não me preocupar que já iam vir limpar isso!

Chegou a doutora. Ufa! Eram 10h40. Simpatizei com a Dra. Paula na hora – ela tinha um olhar doce e uma voz suave. Que sorte a minha, pensei! Entre uma contração e outra ela me examinou e pasmem! Eu já estava com 9 cm de dilatação.  Me encaminharam para a sala de parto normal e logo a Gabi Doula chegou! Ai, que bom! Agora minha equipe de apoio – De e Gabi – estava completa!

Eu só pensava em entrar na banheira e sentir o alívio do quentinho da água. Enquanto enchia fui pro chuveiro. E depois de esperar váaarios minutos, a banheira cheia, o termostato marcando 37 graus, quando chego lá a água está fria!! Banheira out of order! Que frustração! Eu tinha sonhado tanto com a banheira! Mas bola pra frente. Voltei pro chuveiro!

Um tempo depois, nova checagem e eu já estava com 10 cm de dilatação. Devia ser umas 11 h e pouco e todo mundo neste momento achou que logo, logo, Dora estaria aqui. Parecia que estava quase!

Mas o tempo foi passando, as contrações foram aumentando e eu fui mudando de posição. Do chuveiro pra em pé apoiada na cama, em pé apoiada na bola de pilates na cama, ajoelhada apoiada na cama... tudo o que eu queria era curvar a minha coluna o máximo possível durante as contrações.

Cada posição que eu fazia, Gabi trazia recursos pra me deixar mais confortável, mas o melhor de tudo foi a massagem que ela fez na minhas costas em cada uma das contrações que eu tive até o final. Que diferença que fazia pra amainar a dor!! Se acaso por alguma razão ela tivesse saído do meu lado nos intervalos, bastava a contração iniciar que eu via Gabi saindo correndo em minha direção pra colocar suas mãos mágicas nas minhas costas. Teve momentos que eu nem queria massagem; bastava ela pousar suas mãos na região onde doía que aquilo me aliviava.

Não tinha mais ninguém em trabalho de parto na maternidade naquele dia. Eu tinha a equipe toda só pra mim! Isso fez com que a Dra. Paula acompanhasse praticamente meu parto inteiro e eu adorei a postura dela. Sempre me deixando a vontade, procurando também contribuir para meu alívio e me motivar.

Na hora do almoço comecei a me sentir cansada, afinal eu mal tinha comido uma fatia de mamão pela manhã! Decarlos pegou uma barrinha de cereal pra mim e eu continuei tomando muita água – desde o começo me dava muita sede.

Passei um tempão ajoelhada no chão (com toalhas amortecendo cada um dos meus joelhos – providência da Gabi), com o tronco apoiado na cama, a Gabi cuidando das minhas costas, a médica sentada no chão ao meu lado às vezes fazendo um carinho na minha perna durante as contrações que – acreditem – trazia mais um aliviozinho pra dor, e o De na minha frente, do outro lado da cama, me dando as mãos, que eu apertava com toda a força. Nos pequenos intervalos, eu ficava estátua, fechava os olhos e só queria curtir o alívio do momento, não me mexia, poucas vezes falava, eu só queria respirar.

A cada 10 minutos a médica checava o coração da Dora e estava sempre tudo bem com ela. Ela vinha descendo, gradativamente, va-ga-ro-sa-men-te... Eu já estava pedindo “vem, filha, vem”... Todos me diziam “está quase”, mas pra mim ficou tempo demais no “quase”. Duas Dulces começaram a conversar na minha cabeça:

- Vou pedir anestesia; não aguento mais.

- Tu sabes que a Gabi e a Dra. Paula vão te dizer que está quase, que não vale a pena, e tu vais aceitar isso. No fundo, tu sabes que aguentas e que não queres anestesia quando já estás com dilatação total e quando falta tão pouco!

- Ah, mas vou pedir mesmo assim. Preciso verbalizar isso e ouvir elas dizerem o que eu sei que elas vão dizer!

E foi o que eu fiz. Pedi anestesia, pedi alguma coisa para agilizar o processo, falei que estava cansada, perguntei quanto tempo eu ainda ia ter que aguentar a dor, tudo sabendo que eu ia continuar exatamente onde estava... isto é, sem intervenções!

Diante de toda a minha manifestação, Gabi me achou meio ansiosa e me sugeriu voltar pro chuveiro, já que eu tinha gostado tanto do alívio da água. Aceitei a sugestão. Deveria ser umas 14 h.

Andei da cama até lá, fui pra debaixo da água e de repente, assim sem mais nem menos, sem aviso prévio, entrei no expulsivo!

...
...
...
...

Essa pausa é porque chega a ser difícil pra mim explicar o que senti... Ninguém nunca me falou da sensação do expulsivo, ninguém me preparou para aquele momento (bem que a doula tentou, me recomendando uma roda de conversa sobre o tema à qual eu não pude ir)!

Ao sentir meu corpo se abrindo, a sensação de que eu ia literalmente me rasgar ao meio, senti um choque, um pânico! Eu já nem berrava mais – urrar é o verbo mais adequado... Acho que é no expulsivo que a gente se conecta com as nossas ancestrais, com a mãe-terra, com a essência do feminino, com a energia fundamental que trouxe a humanidade até aqui, com o que de mais animal (no melhor sentido do termo) há na nossa natureza.

What the hell is going on?? Gabi, eu vou me rasgar!! E ela: não vai, não, Dulce! A Dora tá vindo! Deixa acontecer! Mas a vontade era mesmo me trancar toda, me segurar inteira... Eu não queria me partir...! Até entendi melhor por que esse momento se chama “parto”... Não deve ser à toa!

A partir daí já não havia mais alívio entre as contrações! Toda a parte de baixo do meu corpo se esticava... Gabi chamou a doutora. Ela fechou o chuveiro (na hora eu pensei: liga essa p...!) e tentou se posicionar ali, mas acho que não deu muito certo porque ela insistiu pra eu ir pra cama, sugeriu a posição de quatro que, pelo acompanhamento do parto, ela sabia que me traria algum alívio. Entre mais uma ou duas contrações, urros e desespero da minha parte, eu disse que não conseguiria andar até a cama! Ela disse que eu conseguiria sim, e foi me levando, me dando apoio.

Mal cheguei na cama e veio outra contração. E acho que mais outra. Já nem sei... Já estava na partolândia. Eu precisava da mão do De na minha, eu quase mordia a mão dele entre um grito e outro...

Aí eu ouço a Dra. Paula me falar que eu estava começando a ter uma laceração. Ela me perguntou se não era melhor eu virar pra ela poder fazer uma episiotomia. Gente, eu jamais iria conseguir virar no meio daquele turbilhão e sentir uma contração daquelas deitadinha de costas na cama! JAMAIS!! Tentei deixar isso claro, mas ela insistiu...! Meti a Gabi na fogueira e perguntei: o que achas? Ela tentou dar sua opinião sem parecer uma afronta à médica e à enfermeira, que chegou junto e disse: vamos virar ela, doutora! Escutei ao longe Gabi dizendo: espera só mais uma! Ao mesmo tempo em que eu gritava: não vai dar teeempoooooo!

E veio mais uma contração. A derradeira. A contração pré-paraíso. Claro que eu não sabia que seria a última... eu estava lá mordendo a mão do De e berrando ao mesmo tempo, quando de repente tive aquela outra sensação. Foi quase um ploc de novo (como o do rompimento da bolsa)... E quando olhei pra baixo (lembrem-se que eu estava de quatro), lá estava ela, a minha Isadora, no meio de um monte de líquido de cor diferente, chorando, sendo amparada pela Dra. Paula e pela pediatra... Eram 2:18 h da tarde.

Nasceu!, eu disse. E, de um segundo pro outro, eu não sentia mais dor nenhuma, mas sim uma emoção (cá entre nós, nesse momentinho era mais de alívio do que de amor. Desculpa a sinceridade, gente!). Ufa, acabou! Agora é só alegria! J

As médicas passaram a Dora por debaixo do meu corpo, com o cordão umbilical ainda nos conectando (bem como estava no meu plano de parto), para eu poder ver a carinha dela direito!

Depois de uns minutinhos, o cordão foi cortado. Consegui me virar e deitar na cama, Gabi me ofereceu algo pra comer, e enquanto a pediatra examinava minha filha, a médica dava os pontos na laceração que tinha ocorrido (nem de longe tão grave quanto no parto do Caio).

Em poucos minutos, Dora estava mamando, com a eficiência e perfeição de quem tivesse feito aquilo a vida toda!

Com a expulsão da placenta, eu estava pronta para tomar um banho e ir para o quarto, andando por meus próprios pés, me sentindo forte e bem.

Olhei “para trás” e me senti contente por ter tido a felicidade de passar por um parto sem intervenção de nenhum tipo e pelo privilégio de sentir o expulsivo como ele é, na pele, no físico, no coração e na alma. Olhei para frente e senti a satisfação de estar pronta, com todas as minhas capacidades, para partilhar minha vida com este ser humano que cresceu em mim, que me partiu em novas Dulces. Se naquele precioso instante, quando nasceu Isadora, não nasceu também uma mãe, pois mãe eu já era, criou-se em mim uma nova mulher, que fez escolhas conscientes sobre o seu parto e as teve respeitadas, que teve um plano de parto que se cumpriu num país onde as estatísticas são chocantes e a violência obstétrica uma triste realidade. A Dulce que partiu da maternidade foi empoderada pela beleza de um parto natural que, não há dúvidas, mãe e filha, com um apoio essencial, conseguiram juntas.

Desejei que todas as mulheres, ao parirem, possam se sentir como eu me senti. 

Mais uma vez, parto feliz.

domingo, 11 de maio de 2014

O SEGUNDO “TOMBO”

No primeiro post que escrevi para este blog eu falei sobre a descoberta da minha primeira gravidez. Terminei com as seguintes palavras: “Mais tarde, me dou conta e caio em mim... Caio em minha vida.”

Hoje venho falar de outra vez que “caí em mim”. Outro desses tombos sublimes. Mas eu não estou falando de uma queda propriamente dita.

No dicionário, a palavra “tombo” tem vários significados; uns que explicam melhor o que quero dizer.

DO HOUAISS:

Regionalismo: Brasil. Uso: informal.
habilidade física ou mental de uma pessoa; capacidade, perícia, gênio, inclinação
Regionalismo: Brasil. Estatística: pouco usado.
designação que se dá a uma pessoa para significar que ela é ativa, diligente etc.


Ou seja, estou falando desses tombos que te promovem capacidades, que te deixam mais ativa ante a vida, mais diligente. São tombos que são presentes (de Deus, da vida, do Universo...), são por isso tombos sublimes.

Quando Caio completou um ano de idade, decidimos que eu pararia com o anticoncepcional. Um mês tomando ácido fólico e dando um tempo ao organismo, e depois disso abrir corpo, mente e alma pra receber a dádiva.

Nos três primeiros meses de tentativa eu SEMPRE achava que tinha engravidado, sentia “sintomas”, comprava o teste e... negativo. Na terceira vez cheguei a fazer o exame de sangue, tamanha a minha certeza de gravidez! Eu não acreditava nos negativos dos três testes de farmácia que tinha feito, pode? No sétimo dia de atraso da menstruação, tive que aceitar... Meu período veio então no dia seguinte. Nunca antes na vida tive tamanho atraso... Mas a mente é mesmo poderosa, não é?

Decidi ver uma médica. Na Nova Zelândia, deve-se consultar primeiro um clínico geral. Tenho a sorte de ter uma amiga trabalhando numa clínica que marcou uma consulta pra mim com uma GP (General Practitioner) que tinha trabalhado anos como obstetra. Conversamos bastante e o papo com a médica me acalmou. Combinamos que eu relaxaria durante os próximos três meses, e que se não desse nada, eu voltaria lá pra fazer alguns exames. Coincidentemente, seriam também os nossos últimos três meses na NZ, antes de mudarmos de volta ao Brasil. Consegui mesmo desencanar. E nos três meses seguintes, ao contrário dos primeiros, eu logo tinha a certeza que não tinha engravidado.

Eu queria muito, muito chegar grávida no Brasil, poder já dividir a notícia com as pessoas pessoalmente (qualquer semelhança com a primeira gravidez não é mera coincidência!). Mas uma semana depois do período fértil no sexto mês de tentativa, como eu não tinha sentido nada de diferente, eu logo assumi que não tinha dado de novo. Bateu aquela tristezinha básica, mas bola pra frente. Nesse período pré-mudança de país, com mil coisas pra fazer, a verdade é que eu nem tive muito tempo pra ficar remoendo isso.

Até que chegou o dia de ficar menstruada e nada. Mas atrasos de alguns dias podem ser comuns... No dia seguinte, à noite, ao colocar o pijama, este raspa no meu peito e.....  aiiii, doeu! Opa! Entre todos os sintomas de gestação, o único que eu considerava exclusivo de gravidez era justamente a sensibilidade extrema nos mamilos, que eu não tinha de fato sentido nos meses em que achei que estivesse grávida! ... Será? E o medo de fazer o teste agora? Esperei mais uns três dias e resolvi encarar.

Era hora do almoço do dia 30 de agosto de 2013. Estávamos só eu e Caio em casa. Não demorou dez segundos pros dois risquinhos aparecerem no teste... e não demorou cinco segundos para as lágrimas caírem. Lágrimas que caem, que tombam, que me certificam de minha “habilidade física” divina de gerar uma vida, que me falam de minha “inclinação” para ser mãe mais uma vez, que me despertam este zelo instintivo, esta “diligência” natural que nós mães temos em relação aos nossos filhos. Novamente caio em mim, em minha vida. Sinto a sublimidade de um segundo tombo.

Viro para o Caio e digo: “Filho, a tua irmã chegou!”

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Caio, o poliglota

(a filmagem está bem amadora, mas a fofurice continua 100%!!)



E tem como uma mãe não se encher de orgulho da cria?

O que mais me impressionou é que, como bus, truck, horse, cow ele aprendeu primeiro em inglês, eu acabo usando essas palavras sempre em inglês com ele, pra me fazer entender e principalmente pra manter o inglês ao menos um pouquinho na vida do Caio, já que ele vai crescer no Brasil (a galera aqui de casa também tem usado essas palavras em inglês). Aí me pergunto de onde ele conhecia ônibus, caminhão, cavalo, vaca? Ele acertou na primeira vez que perguntei!


domingo, 15 de setembro de 2013

QUEM CANTA OS MALES ESPANTA

Eu sempre fui de cantar pro Caio.

Quando ele era bem neném, eu cantava “Se essa rua fosse minha” pra ele se acalmar e dormir.

À medida que ele foi crescendo, o repertório foi aumentando – Arca de Noé, Saltimbancos, as nursery rhymes em inglês... (sim, eu curto as músicas infantis!)

Desde o começo do ano, nas sexta-feiras, sempre que dá eu levo o Caio no “Rock&Rhyme”, que acontece em algumas bibliotecas públicas aqui de Wellington. É meia horinha de música, todas com gestos de interpretação – que as crianças a-do-ram –, sempre tem um instrumento musical (normalmente chocalhos, dos tipos mais variados) pra eles, e tem cinco minutinhos no meio pra leitura de um livrinho bem bacana. Evento gratuito. Abre parênteses: algo tão simples e tão legal; fico me perguntando por que não fazem isso no Brasil nas bibliotecas públicas ao menos... Fecha parênteses.

Mas o ponto em que eu quero chegar é que a música também tem sido uma ferramenta muito eficaz no trato de certas teimosias ou escândalos que os pequenos em geral fazem. Explico. Sabe quando os danadinhos não querem sentar no carrinho, por exemplo, porque não estão a fim de ir embora de algum lugar? Ou quando começam a chorar e teimar porque decidiram que o momento não é ideal pra trocar a fralda mesmo que ela esteja pesando toneladas de tanto xixi? Ou quando não querem vestir o casaco pra sair mesmo que lá fora haja um vento congelante dando a sensação térmica de que está ainda mais frio do que o frio que faz?

Pois é. Com o Caio, basta eu começar a cantar que ele fica pianinho e se comporta superbem! É sério, gente! Não falha NUNCA! É verdade que eu não sei até quando isso vai funcionar, mas por enquanto eu não posso reclamar! Uma belezura de técnica que eu queria muito que durasse pra sempre!

Não acredita? Está teimando comigo? ...... “Lá vem o pato, pato aqui, pato acolá! Lá vem o pato para ver o que é que há!” J



segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Caio, o tagarela

Semana passada teve reunião dos pais com os professores da creche do Caio. Quer dizer, reuniões! Porque foram individuais – de quinze minutinhos, só pra conversar mesmo! A professora principal do Caio (nesta creche eles chamam de “profile teacher”, pois é a professora responsável por observar mais o Caio, escrever as histórias do Profile book dele, etc.; na creche que ele ia ano passado, chamavam de “main caregiver”) é a Susanne, da Alemanha, uma querida!

Ela me disse que o Caio está bem integrado na rotina da creche, que as horas da refeição correm tranquilas, que ele come bem, que ele dorme sem problema, sem que precise ficar alguém com ele, que ele é bem auto-confiante, vai escalando tudo, logo se acostumou com a escada (uma escadinha pra chegar no jardim) e que ele é de explorar tudo, mas que as duas coisas que ele gosta mais realmente são a bola e os livros!

Ela falou tudo o que eu teria dito do Caio também; é bem como ele é em casa! Mas devo dizer que quando ela falou assim “a bola e os livros”, um depois do outro, juntinho na mesmo frase, eu me enchi de orgulho – uma atividade física e uma atividade intelectual!!! Óóóóóóó, que filho equilibrado! Hehehehe  

Teve outra coisa que ela falou que, aliás, eu já ouvi de todas as outras professoras da creche (ao menos de outras três): que o Caio fala bastante! Que ele é conversador, talkative, chatty! E é mesmo! No parque ele fala com as outras crianças e com os pais delas, no museu ele não pode ver um casal sentado descansando que ele pára bem na frente deles e fica olhando, provocando uma conversa, no café, se ele está num dia “bom”, pára em algumas mesas pra trocar uma ideia! Uma figurinha! Puxou ao pai nisso – sociável “no último”! Quanto a mim, quem me conhece, sabe: às vezes me dá uma preguiça de socializar...!

Então eu quero aproveitar que o assunto é o Caio tagarela pra registrar suas primeiras palavras. Eu comecei a lista há duas semanas e ela aumentou de lá pra cá!  É mesmo muito massa acompanhar esse desenvolvimento, né? Bom, taí: a lista das palavras que eu me lembro que o Caio sabe falar em 12/8/2013, do jeitinho que ele fala:

Mummy (tenho que começar com esta!)
Papi/papa/baba/paba
Manana (banana)
Macaca (macaco, mas ele sempre fala no feminino!)
Pupu (piu-piu)
Tao (Theo, o melhor amigo)
Taui (Taieri – pronuncia-se “Táiri”, o melhor amigo da creche, descendente de japonês!)
Uaua (cachorro)
Miau
Yummy yummy (comida – é como se faz em inglês quando a comida tá gostosa)
Pocu (Porco)
Mena mena (quando ele quer ver filminho; vem de “Mahna mahna”, o vídeo dos Muppets)
Uouó (vovó)
Uouô (vovô)
Uou-uou-uou (pedindo pra eu cantar a música “Row, row, row your boat...”)
Laila (o nome da cachorra dos meus pais – essa foi a primeira palavra que ele falou, aos 10 meses)
Pêssi (peixe)
Oio (olho)
Não  
Gol (bola)
Tao (tchau)
Neném
Abti/ábuti (abre)
Menena (menina)
Batata
Pata/pada (pato, sai sempre no feminino também!)
Po/bo/pao (pão)
Uaia (vaca)
Cacaca (lixo e afins)
Tratca (tractor)
Bee
Turtle
Bye/bye-bye
Baby
Bus


quinta-feira, 13 de junho de 2013

Carta

Caio, meu filho querido,

Tu estás tão fofo, mas tão fofo, que eu pensei que deveria te escrever uma carta pra registrar teu desenvolvimento!

É tanta coisa que nem sei por onde começar!

Bom, vais completar 16 meses daqui a dois dias!

Tu és o filho mais carinhoso que eu poderia ter. Eu ganho tantos abraços diariamente! O meu dia já começa bem, quando tu acordas de manhã e nos chama. Lá vou eu rumo ao meu primeiro abraço, com a cabecinha encostada no meu ombro e com direito até a tapinhas nas costas. Que delícia!

Tem também as vezes que te chamo pra vires me dar um abraço e tu vens correndo até a metade do caminho, depois dás meia volta e ficas rindo de mim! Repetes o feito quantas vezes eu te chamar! Achas engraçadíssimo ficar provocando a mamãe, seu sapeca! Até o momento em que eu não aguento e te agarro anyway!

Quando estás cansadinho, gostas de te aconchegar no colo da mamãe e ficar brincando com as minhas mãos, colocando elas no teu rosto, fazendo eu te fazer carinho! Também é só te pedir carinho que passas tua mãozinha macia no rosto da gente! A-mo!!

Tu adoras música e sempre danças quando a gente aperta o play! Coisa mais querida! Danças mesmo, com o corpo todo! É a mãozinha pra cima e pra baixo, a cabeça, dobras os joelhos como num reggae, não importa que estilo de música esteja tocando! Eu vivo dizendo que tenho que filmar isso, mas acabo me perdendo te apreciando e a câmera fica esquecida!

Outra coisa que tu adoras são teus livros! Não tem um dia que tu não passes um tempo folheando e refolheando vários deles. E contando as histórias às vezes à tua maneira! Quando é o da vaca, tu fazes “buuuuuuuuuu”! Viras a página e vês a ovelha: “bááááááááá”! Na parte do pato, tu falas  “atuuuuuuu”, que às vezes sai “aduuu”, ou “baduuuuu”, ou "cacuuuu", vais revezando nas consoantes! Também imitas o leão: rrrrrrrrrrrrrr, aliás faz tempo; foi o primeiro bichinho que aprendeste a imitar!

Embora na tua última avaliação pela enfermeira o resultado tenha mostrado que tinhas engordado mais do que crescido, cada vez alcanças mais alto, e tua nova mania é acender e apagar as luzes da casa! E se tu acendes e eu te falo “agora apaga”, tu obedeces, mas em seguida acendes de novo! Já estou até vendo que a conta de luz vai aumentar!

Também já não podemos deixar mais nada em cima da mesa, ou pia, perto da borda. Antes, quando a luz do cômodo estava apagada (nosso ap é um pouco escuro mesmo durante o dia), tu nem entravas. Mas agora perdeste o medo e entras no banheiro pra pegar o creme de barbear do teu pai a toda hora! Tenho mesmo que manter a porta fechada. Só não consigo manter a porta fechada quando eu quero ir ao banheiro! Sempre me segues! Se eu tranco a porta ficas chorando e batendo na porta do lado de fora. Se só encosto, abres a porta e ficas todo feliz de me ver ali... Saudade da minha privacidade! Hehe

Como já ficou claro, entendes muuuita coisa que a gente te fala, tudo que faz parte do teu dia a dia. Se te pergunto se estás com fome, ou tu vais em direção ao cadeirão, ou em direção à fruteira! Se te pergunto se queres água, pegas a tua garrafinha. Quando te convido pra lavar as mãos antes das refeições, te diriges ao banheiro. Se o convite é pra trocar a fralda, vais até o quarto. Quando pergunto “quem vai chegar?”, apontas pra porta e dizes “papaaaaaaaa”! Se te sugiro brincar com algum brinquedo específico, sempre o procuras, e viras as mãozinhas assim pra cima quando não o encontras, como quem diz: cadê?

Quando estamos comendo bergamota, pegas um pedacinho de casca da minha mão, vais até a cozinha e colocas no lixo, aplaudindo a si mesmo depois! Fazes isso pedaço por pedaço de casca! E nem fui eu que te ensinei, foi iniciativa própria!

Também é fofo demais quando pegas o telefone, colocas na orelha e ficas falando tua baby language, como que batendo o maior papo!!

Já brincas com carrinhos como um big boy, fazendo “vrrrrum, vrrrrrummmm” e empurrando o carrinho por aí!

Basta ouvires a palavra “bateria” que ajeitas as latas de leite vazias, pegas a pazinha de plástico e fazes o maior som!

Mas o teu brinquedo preferido é mesmo a bola. Gostas de arremessar com a mão ou então chutar, gritando “ooooooooolllll” na sequência!

Ahhh, e identificas várias partes do corpo: cabelo, nariz, boca, dente, barriga, mão, pé, bochecha, orelha, olho – esses dois últimos às vezes tu confundes!!

Estás entrando numa fase climber! Chegas a afastar a cadeira da mesa pra conseguir espaço pra subir. Outro dia pisquei e estavas em cima da mesa!

Enfim, eu teria ainda muito mais coisas pra contar! Mas isso já dá uma noção da tua fofurice!!

Te mando um beijo com a mão como fazes pra gente e me despeço aqui com bye-bye, tua primeira palavra em inglês!

My heart melts!

Mamãe