segunda-feira, 10 de novembro de 2014

A cereja do bolo

Isadora está com cinco meses. Claro que bebês são sempre incríveis, que crianças são surpreendentes e que passam por várias fases maravilhosas. Mas se for pra eu escolher o período top, o mês mais gostoso, eu escolho o quinto mês de vida!

Que delícia de época! Para começar, o bebê está fofíssimo, cheio de reações encantadoras, começando a dar gargalhadinhas, demais, demais, demais! Em termos de fofura é bem verdade que o bebê fica ainda mais fofo. Mas essa fase tem também outras coisas boas.

O bebê ainda não engatinha, então é fácil de cuidar.

O bebê ainda não come (ao menos no caso dos meus filhos), então não tem o lance das papinhas, que pra mim é trabalhoso, chatinho.

A amamentação está bem estabelecida, mais espaçada, dá para planejar melhor o dia.

E a rotina com o filho ficou natural, tudo se encaixa bem.

Me delicio com cada momento.

Beijo muito, acarinho muito, agradeço muito.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

The awesome side of the "terrible twos"

Meu filho querido,

Já estás com quase dois anos e oito meses! Tu tens te desenvolvido tão bem, sempre surpreendendo a gente com teus aprendizados e tuas fofurices, que achei importante fazer o registro aqui.

Tu falas muito bem. Desenvolveste a linguagem rapidamente após completares dois anos e entrares pra escolinha. Conjugas os verbos e usas os pronomes perfeitamente. E até a letra R, como em Isadora, já estás falando.

Adoro como recontas as estórias dos livros que lemos juntos todas as noites. Tens uma fascinação especial por aquelas com o Lobo Mau. Mesmo contando três porquinhos na capa, tu insistes em dizer “dois porquinhos”! hehe Vai entender por quê!

Também é adorável como tantas vezes repetes em forma de pergunta o que acabamos de dizer:

- Filho, amanhã a gente vai na casa da vovó!
- A gente vai na casa da vovóóó?
- Sim, amanhã. Tem que dormir uma noite ainda!

OU

- Vamos almoçar?! Tem feijão que você adora hoje!
- Tem feijão que eu adoro hoje?

Contas de um a dez em vários idiomas: português, inglês, francês, espanhol e alemão. Aprendeste quando tinhas que “respirar” um remédio pra tosse por 10 segundos. Mamãe sempre contava numa língua diferente, até que vi um dia tu contando certinho! É demais! (Agora estás tomando homeopatia, são apenas cinco gotinhas... Será que vais esquecer os números de 6 a 10?)

É lindo de ver como gostas da tua irmã. Quando chegas da escola corres para cumprimentá-la; quando acordas de manhã, fazes questão de falar: “Oi, boneca, dormiu bem?” Mas o mais legal é quando fazes ela gargalhar com tuas palhaçadinhas! Na primeira vez que isso aconteceu, mamãe quase chorou de emoção!

Me encanta te ver expressando tua criatividade! Um pote de massinha em pedaços vira bolo de chocolate, que tu ofereces pra quem estiver em casa. Legos são sanduíches! Qualquer coisa compridinha pode virar uma vela que fazes a gente assoprar depois de cantar “Parabéns a você!”

Tua agilidade e coordenação motora nos esportes chama a atenção. Tens evoluído diariamente no basquete e hoje pela manhã te vi posicionando a cesta e depois a ti, longe quase dois metros, comemorando a cada cesta convertida ou dizendo “berrei” (insistes neste B aí na frente) quando erravas!

Outra curtição desportiva nossa é jogar com as raquetes de ping-pong. Já conseguimos contar até três toques seguidos sem a bola cair no chão! J

Curtes provocar teu pai até ele te pegar no colo bem apertado e tu me chamares: “Mãe, o papai tá me apertandoooooo!”

Nós também adoramos brincar de fazer caras: de feliz, brabo, assustado e triste! Esta última tu sempre fazes com um sorriso no rosto, mesmo eu explicando que cara de triste não sorri! Hehehe

Tua autonomia cresce dia a dia. Escolhes a roupa que queres vestir (desde antes dos dois anos de idade!), calças o tênis sozinho, queres tentar tudo por ti mesmo – pegar um copo d’água, escovar os dentes, dar descarga, lavar as mãos... Aprendes rápido, mas as meias ainda não consegues colocar!

Outra encarnação tua no momento é brincar de esconde-esconde! Pedes pra gente contar de um a dez. Quando terminamos e falamos “será que o Caio está embaixo da mesa?”, tu respondes “não!”, será que ele está atrás do sofá?”, “não! Tô aqui!”. Até que falamos “achei você!”, frase que também adoras dizer pra gente.

Sempre que experimentas uma comida nova e gostas, tu te expressas bem: “Hummmmmmm, gostei”. O “hummmmm” mais fofo que já escutei na vida!!!

Quando te pergunto do teu dia na escola, hoje já ganho respostas concretas. Sabes me dizer o que tinha no lanche, os amiguinhos com quem brincaste (com sobrenome e tudo!) e quem escolheu o animal da semana! (Pra constar, na tua vez escolheste a vaca!)

Que privilégio te acompanhar!

Me despeço de ti com um abraço daqueles bem fortes que só tu sabes me dar!

Te amo demais!


Mamãe

quinta-feira, 10 de julho de 2014

O segundo impacto

Que o primeiro filho é um impacto na vida dos pais, com isso (quase) todo mundo concorda. Eu escrevi sobre este impacto aqui.

Tende-se a pensar que o segundo filho não traz impacto nenhum. Afinal, sua vida já foi totalmente transformada com a chegada do primeiro.  Ledo engano! Há um choque, sim! Ele pode ser menor, diferente em alguns aspectos (iguais em outros), mas que há um impacto, há!

É verdade que nós pais lidamos com o bebê de forma mais tranquila, sem aquela ansiedade constante da primeira vez. É muuuito mais fácil deixar o bebê dormindo no quarto e ir pra sala, por exemplo. A gente sabe que ele vai ficar bem, que nada vai acontecer. A gente sabe que se ele tiver que chorar um pouquinho enquanto por qualquer razão não podemos atendê-lo, tudo bem também. A gente sabe sobretudo que é capaz de criar um ser humano, pois estamos sendo bem-sucedidos na missão com o primeiro filho.

Mas o desafio de passar pelo primeiro mês ainda existe. Nossa reviravolta hormonal das primeiras semanas ainda existe, portanto nossa hipersensibilidade está presente. Nossa visão das coisas que hiperdimensiona os acontecimentos está aí pra nos “liberar” angústias, preocupações, um certo “medo” do futuro, e todo o turbilhão de emoções típico dessa fase. Ao menos comigo foi assim.

O maior desafio esta vez foi/está sendo conciliar a rotina do filho mais velho com as necessidades do recém-chegado. Já não rola passar umas semanas na casa da mãe. Da maternidade vim direto pra minha casa.

Ainda em relação ao primogênito, o meu tem 2 anos e 4 meses hoje, ou seja, está no auge dos famosos “terrible twos”. E se ele ainda não tinha entrado na fase terrível, foi só trazer a Dora pra casa que o menino pirou, gente! Tudo passou a ser difícil com ele, que dava o contra pra qualquer coisa – pra vir jantar, tomar banho, trocar fralda, enfim, qualquer coisa que fosse pedida a ele. Isso sem falar nos berros, nas jogadas no chão, no choro falso mas alto imitando o da irmã... Caio nunca levou tanta bronca na vida, justo quando ele mais precisava de carinho... Aí junte a isso a sensibilidade materna e teremos como resultado muitas lágrimas! J Só pra constar, hoje, seis semanas depois, Caio está bem mais fácil de lidar – acho que ele entendeu que ainda tem seu espaço.

Outra consequência do impacto pra mim foi que eu não podia pensar no futuro – me dava muita aflição, pois eu não conseguia vislumbrar como eu ia dar conta de cuidar dos pequenos, da casa, cozinhar e ainda trabalhar (ainda que sejam umas poucas horas diárias), sem falar em cuidar de mim e do relacionamento com o maridão, né? Leve-se em conta que durante todas essas semanas minha mãe me ajudou muuuuuito, especialmente com comida. Ainda não tive que cozinhar uma refeição completa, por exemplo.

Além disso, me dava uma preguiça pensar em passar por todas as fases de novo. Eu só pensava em como eu gostaria de estar dois anos na frente, quando Dora já soubesse falar, dizer o que quer!

Ao falar do primeiro impacto eu comentei alguns pensamentos, digamos, “obscuros” que se passavam pela minha cabeça. Desta vez eu pensava o seguinte:

- entendo totalmente quem quer ter apenas um filho, quem escolhe não ter um segundo; é muito trampo passar por tudo isso de novo!

- o que eu fiz? Estava tão bem com um filho, a vida toda organizadinha, e agora ferrou tudo!

- me dava pena de quem estivesse grávida do segundo filho, ou do terceiro: coitada, vai ter que passar por tudo o que eu estou passando!

Enfim, os hormônios já estão mais equilibrados, Caio está melhor, Dora um pouquinho mais previsível, e assim eu já consigo olhar pro futuro e ver que eu vou dar conta, como de fato já estou dando. E após os primeiros sorrisos da minha filhinha, aos poucos o impacto vai perdendo espaço para o prazer. E eu sei que logo esse prazer é o que predominará...

Taí uma vantagem do segundo filho – não foram as pessoas que te disseram que “vai passar”, você SABE que passa... E isso conforta.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

(Me) Parto

Bom, comecemos do começo.

Minha DPP (data provável do parto) oficial era 20/5, mas para mim era mesmo dia 18/5 – explico: eu sabia que tinha ovulado no 12º dia do ciclo menstrual, não no 14º, e o primeiro ultrassom de todos, o que dizem ser o mais preciso em relação à DPP, tinha dado 18/5. Além disso eu adoro o número 18. Então pra mim sempre foi dia 18/5.

Na consulta das 39 semanas a médica fez o toque e se empolgou! Isadora já estava bem embaixo – a obstetra podia tocar na cabecinha do neném! – e meu colo do útero estava bem molinho, flexível, prontinho para um trabalho de parto que poderia começar a qualquer momento. Tentando não criar muita expectativa em mim, ela acabou deixando claro que não passaria de uma semana!

A expectativa já tinha sido criada. Em mim, no meu marido, nos familiares e amigos mais próximos. Fui me organizando ainda mais, fiz uma compra grande de supermercado, limpei aqui, arrumei ali, aproveitei dias lindos de sol pra caminhar na praia... eu estava pronta pra Isadora. Mas os dias foram passando e nada!

No domingo 18/5, senti pequenas contrações o dia todo, o que se repetiu na segunda, mas ficou nisso. Liguei pra médica e marquei a consulta das 40 semanas, que ela achava que nem existiria! Novo toque e... dilatação de 2 cm. Apesar disso, esta vez ela não demonstrou mesmo que achava que ia ser logo. “Pode ser logo ou pode demorar mais” me disse, enquanto me dava uma requisição para um ultrassom caso a bebê não tivesse nascido até as 41 semanas.

Investi no chá de canela com gengibre (hot tea) e nos outros dois “hots” (hot sex, hot bath). Tinha dias em que sentia pequenas contrações, dias em que não. E mais uma semana foi passando. Quando chegou na sexta-feira, eu já tinha decidido que àquelas alturas era melhor que Dora não nascesse no sábado, pois era a festinha de aniversário de sete anos do meu afilhado, e eu nunca tinha conseguido ir numa festa de aniver dele (sempre estava na Nova Zelândia). Então estava bem a fim de ir nesta. Domingo ou segunda seria perfeito, pensei, assim evitaria um novo ultrassom e até mesmo um possível embate com a médica, que já tinha me deixado claro que não gostava de deixar passar das 41 semanas...

Fui na festa do Arthur, conversei bastante, peguei bebês no colo, comi horrores! Voltei pra casa me sentindo diferente. No entanto, busquei possíveis explicações para aquela tensão que eu sentia nitidamente na barriga e no baixo ventre – terei ficado muito de pé? Comido muito? Carregado os bebês por muito tempo?

A noite transcorreu tranquilamente. Mas..........acordei às 7 h da manhã sentindo contrações mais fortes do que as da semana anterior. Resolvi tomar um banho quente pra conferir se elas continuariam. Saí do banho e chamei o De – honey, tô achando que agora vai!

Uma hora e pouco depois, no café da manhã, eu já não conseguia nem sentar. As contrações estavam mais fortes e aconteciam a cada 3 minutos. Neste dia tinha almoço de aniversário da minha madrinha e meu primo nos Piacentini. Liguei pra mãe e disse: Acho que não vai dar pra ir na festa!

Comecei também a me comunicar com a Gabi, minha doula. Fui ao banheiro e vi o tampão. Estava tudo indo tão rápido que – confesso – eu já estava até pensando na anestesia, pois naquele momento eu adoraria deixar de sentir a dorzinha das contrações. Gabi falou pra eu ir pra maternidade para uma avaliação, afinal de 3 em 3 minutos já é alta frequência! Combinamos de nos encontrar lá, apenas disse a ela que passaria antes na casa da mãe pra deixar o Caio.

Domingo, 25/5, era dia de Iron Man (competição de triátlon realizada em Florianópolis), o que significava que diversas ruas e avenidas estariam fechadas para o evento, inclusive aqui no Sul da Ilha. Logo lembrei de minha prima que teve sua filha, há 10 anos, neste mesmo fim de semana e teve que ir para a maternidade pelo acostamento!

Dentro do carro as contrações já estavam acontecendo a cada dois minutos e já era impossível eu não me contorcer e não falar “ai, ai, ai”. Engarrafamento básico pra entrar pra Costeira, único acesso disponível nesse dia... Eu só pensava em chegar na maternidade. Nas contrações ouvia a vozinha do Caio: “Ajuda a mamãe, papai!”; “Vai passar, mamãe!”, em meio a um risinho nervoso da parte dele... Liguei pra mãe e pedi pra eles irem pegar o Caio no hospital; não ia dar pra passar na casa deles.

Finalmente chegamos na maternidade. Eram umas 10 h e pouco da manhã. Ainda consegui dizer meu endereço, número de telefones, CPF, etc. entre uma contração e outra! Hehehe A moça da recepção disse que a Dra. Paula já ia me examinar. Fiquei feliz ao ouvir um nome de mulher (eu ia ter com o médico plantonista mesmo). Enquanto a Dra. Paula não vinha, a própria recepcionista já pediu meus documentos dizendo que pelo visto eu ia mesmo ser internada. Meus pais chegaram, dei tchau pro meu filho querido e segui no ai ai ai.

De repente, ploc... ahhhhh (isso foi eu dando um gritinho de susto) e aquele quentinho perna abaixo. A bolsa estourou! Fiquei uma estátua no meio da poça enquanto as meninas diziam pra eu não me preocupar que já iam vir limpar isso!

Chegou a doutora. Ufa! Eram 10h40. Simpatizei com a Dra. Paula na hora – ela tinha um olhar doce e uma voz suave. Que sorte a minha, pensei! Entre uma contração e outra ela me examinou e pasmem! Eu já estava com 9 cm de dilatação.  Me encaminharam para a sala de parto normal e logo a Gabi Doula chegou! Ai, que bom! Agora minha equipe de apoio – De e Gabi – estava completa!

Eu só pensava em entrar na banheira e sentir o alívio do quentinho da água. Enquanto enchia fui pro chuveiro. E depois de esperar váaarios minutos, a banheira cheia, o termostato marcando 37 graus, quando chego lá a água está fria!! Banheira out of order! Que frustração! Eu tinha sonhado tanto com a banheira! Mas bola pra frente. Voltei pro chuveiro!

Um tempo depois, nova checagem e eu já estava com 10 cm de dilatação. Devia ser umas 11 h e pouco e todo mundo neste momento achou que logo, logo, Dora estaria aqui. Parecia que estava quase!

Mas o tempo foi passando, as contrações foram aumentando e eu fui mudando de posição. Do chuveiro pra em pé apoiada na cama, em pé apoiada na bola de pilates na cama, ajoelhada apoiada na cama... tudo o que eu queria era curvar a minha coluna o máximo possível durante as contrações.

Cada posição que eu fazia, Gabi trazia recursos pra me deixar mais confortável, mas o melhor de tudo foi a massagem que ela fez na minhas costas em cada uma das contrações que eu tive até o final. Que diferença que fazia pra amainar a dor!! Se acaso por alguma razão ela tivesse saído do meu lado nos intervalos, bastava a contração iniciar que eu via Gabi saindo correndo em minha direção pra colocar suas mãos mágicas nas minhas costas. Teve momentos que eu nem queria massagem; bastava ela pousar suas mãos na região onde doía que aquilo me aliviava.

Não tinha mais ninguém em trabalho de parto na maternidade naquele dia. Eu tinha a equipe toda só pra mim! Isso fez com que a Dra. Paula acompanhasse praticamente meu parto inteiro e eu adorei a postura dela. Sempre me deixando a vontade, procurando também contribuir para meu alívio e me motivar.

Na hora do almoço comecei a me sentir cansada, afinal eu mal tinha comido uma fatia de mamão pela manhã! Decarlos pegou uma barrinha de cereal pra mim e eu continuei tomando muita água – desde o começo me dava muita sede.

Passei um tempão ajoelhada no chão (com toalhas amortecendo cada um dos meus joelhos – providência da Gabi), com o tronco apoiado na cama, a Gabi cuidando das minhas costas, a médica sentada no chão ao meu lado às vezes fazendo um carinho na minha perna durante as contrações que – acreditem – trazia mais um aliviozinho pra dor, e o De na minha frente, do outro lado da cama, me dando as mãos, que eu apertava com toda a força. Nos pequenos intervalos, eu ficava estátua, fechava os olhos e só queria curtir o alívio do momento, não me mexia, poucas vezes falava, eu só queria respirar.

A cada 10 minutos a médica checava o coração da Dora e estava sempre tudo bem com ela. Ela vinha descendo, gradativamente, va-ga-ro-sa-men-te... Eu já estava pedindo “vem, filha, vem”... Todos me diziam “está quase”, mas pra mim ficou tempo demais no “quase”. Duas Dulces começaram a conversar na minha cabeça:

- Vou pedir anestesia; não aguento mais.

- Tu sabes que a Gabi e a Dra. Paula vão te dizer que está quase, que não vale a pena, e tu vais aceitar isso. No fundo, tu sabes que aguentas e que não queres anestesia quando já estás com dilatação total e quando falta tão pouco!

- Ah, mas vou pedir mesmo assim. Preciso verbalizar isso e ouvir elas dizerem o que eu sei que elas vão dizer!

E foi o que eu fiz. Pedi anestesia, pedi alguma coisa para agilizar o processo, falei que estava cansada, perguntei quanto tempo eu ainda ia ter que aguentar a dor, tudo sabendo que eu ia continuar exatamente onde estava... isto é, sem intervenções!

Diante de toda a minha manifestação, Gabi me achou meio ansiosa e me sugeriu voltar pro chuveiro, já que eu tinha gostado tanto do alívio da água. Aceitei a sugestão. Deveria ser umas 14 h.

Andei da cama até lá, fui pra debaixo da água e de repente, assim sem mais nem menos, sem aviso prévio, entrei no expulsivo!

...
...
...
...

Essa pausa é porque chega a ser difícil pra mim explicar o que senti... Ninguém nunca me falou da sensação do expulsivo, ninguém me preparou para aquele momento (bem que a doula tentou, me recomendando uma roda de conversa sobre o tema à qual eu não pude ir)!

Ao sentir meu corpo se abrindo, a sensação de que eu ia literalmente me rasgar ao meio, senti um choque, um pânico! Eu já nem berrava mais – urrar é o verbo mais adequado... Acho que é no expulsivo que a gente se conecta com as nossas ancestrais, com a mãe-terra, com a essência do feminino, com a energia fundamental que trouxe a humanidade até aqui, com o que de mais animal (no melhor sentido do termo) há na nossa natureza.

What the hell is going on?? Gabi, eu vou me rasgar!! E ela: não vai, não, Dulce! A Dora tá vindo! Deixa acontecer! Mas a vontade era mesmo me trancar toda, me segurar inteira... Eu não queria me partir...! Até entendi melhor por que esse momento se chama “parto”... Não deve ser à toa!

A partir daí já não havia mais alívio entre as contrações! Toda a parte de baixo do meu corpo se esticava... Gabi chamou a doutora. Ela fechou o chuveiro (na hora eu pensei: liga essa p...!) e tentou se posicionar ali, mas acho que não deu muito certo porque ela insistiu pra eu ir pra cama, sugeriu a posição de quatro que, pelo acompanhamento do parto, ela sabia que me traria algum alívio. Entre mais uma ou duas contrações, urros e desespero da minha parte, eu disse que não conseguiria andar até a cama! Ela disse que eu conseguiria sim, e foi me levando, me dando apoio.

Mal cheguei na cama e veio outra contração. E acho que mais outra. Já nem sei... Já estava na partolândia. Eu precisava da mão do De na minha, eu quase mordia a mão dele entre um grito e outro...

Aí eu ouço a Dra. Paula me falar que eu estava começando a ter uma laceração. Ela me perguntou se não era melhor eu virar pra ela poder fazer uma episiotomia. Gente, eu jamais iria conseguir virar no meio daquele turbilhão e sentir uma contração daquelas deitadinha de costas na cama! JAMAIS!! Tentei deixar isso claro, mas ela insistiu...! Meti a Gabi na fogueira e perguntei: o que achas? Ela tentou dar sua opinião sem parecer uma afronta à médica e à enfermeira, que chegou junto e disse: vamos virar ela, doutora! Escutei ao longe Gabi dizendo: espera só mais uma! Ao mesmo tempo em que eu gritava: não vai dar teeempoooooo!

E veio mais uma contração. A derradeira. A contração pré-paraíso. Claro que eu não sabia que seria a última... eu estava lá mordendo a mão do De e berrando ao mesmo tempo, quando de repente tive aquela outra sensação. Foi quase um ploc de novo (como o do rompimento da bolsa)... E quando olhei pra baixo (lembrem-se que eu estava de quatro), lá estava ela, a minha Isadora, no meio de um monte de líquido de cor diferente, chorando, sendo amparada pela Dra. Paula e pela pediatra... Eram 2:18 h da tarde.

Nasceu!, eu disse. E, de um segundo pro outro, eu não sentia mais dor nenhuma, mas sim uma emoção (cá entre nós, nesse momentinho era mais de alívio do que de amor. Desculpa a sinceridade, gente!). Ufa, acabou! Agora é só alegria! J

As médicas passaram a Dora por debaixo do meu corpo, com o cordão umbilical ainda nos conectando (bem como estava no meu plano de parto), para eu poder ver a carinha dela direito!

Depois de uns minutinhos, o cordão foi cortado. Consegui me virar e deitar na cama, Gabi me ofereceu algo pra comer, e enquanto a pediatra examinava minha filha, a médica dava os pontos na laceração que tinha ocorrido (nem de longe tão grave quanto no parto do Caio).

Em poucos minutos, Dora estava mamando, com a eficiência e perfeição de quem tivesse feito aquilo a vida toda!

Com a expulsão da placenta, eu estava pronta para tomar um banho e ir para o quarto, andando por meus próprios pés, me sentindo forte e bem.

Olhei “para trás” e me senti contente por ter tido a felicidade de passar por um parto sem intervenção de nenhum tipo e pelo privilégio de sentir o expulsivo como ele é, na pele, no físico, no coração e na alma. Olhei para frente e senti a satisfação de estar pronta, com todas as minhas capacidades, para partilhar minha vida com este ser humano que cresceu em mim, que me partiu em novas Dulces. Se naquele precioso instante, quando nasceu Isadora, não nasceu também uma mãe, pois mãe eu já era, criou-se em mim uma nova mulher, que fez escolhas conscientes sobre o seu parto e as teve respeitadas, que teve um plano de parto que se cumpriu num país onde as estatísticas são chocantes e a violência obstétrica uma triste realidade. A Dulce que partiu da maternidade foi empoderada pela beleza de um parto natural que, não há dúvidas, mãe e filha, com um apoio essencial, conseguiram juntas.

Desejei que todas as mulheres, ao parirem, possam se sentir como eu me senti. 

Mais uma vez, parto feliz.

domingo, 11 de maio de 2014

O SEGUNDO “TOMBO”

No primeiro post que escrevi para este blog eu falei sobre a descoberta da minha primeira gravidez. Terminei com as seguintes palavras: “Mais tarde, me dou conta e caio em mim... Caio em minha vida.”

Hoje venho falar de outra vez que “caí em mim”. Outro desses tombos sublimes. Mas eu não estou falando de uma queda propriamente dita.

No dicionário, a palavra “tombo” tem vários significados; uns que explicam melhor o que quero dizer.

DO HOUAISS:

Regionalismo: Brasil. Uso: informal.
habilidade física ou mental de uma pessoa; capacidade, perícia, gênio, inclinação
Regionalismo: Brasil. Estatística: pouco usado.
designação que se dá a uma pessoa para significar que ela é ativa, diligente etc.


Ou seja, estou falando desses tombos que te promovem capacidades, que te deixam mais ativa ante a vida, mais diligente. São tombos que são presentes (de Deus, da vida, do Universo...), são por isso tombos sublimes.

Quando Caio completou um ano de idade, decidimos que eu pararia com o anticoncepcional. Um mês tomando ácido fólico e dando um tempo ao organismo, e depois disso abrir corpo, mente e alma pra receber a dádiva.

Nos três primeiros meses de tentativa eu SEMPRE achava que tinha engravidado, sentia “sintomas”, comprava o teste e... negativo. Na terceira vez cheguei a fazer o exame de sangue, tamanha a minha certeza de gravidez! Eu não acreditava nos negativos dos três testes de farmácia que tinha feito, pode? No sétimo dia de atraso da menstruação, tive que aceitar... Meu período veio então no dia seguinte. Nunca antes na vida tive tamanho atraso... Mas a mente é mesmo poderosa, não é?

Decidi ver uma médica. Na Nova Zelândia, deve-se consultar primeiro um clínico geral. Tenho a sorte de ter uma amiga trabalhando numa clínica que marcou uma consulta pra mim com uma GP (General Practitioner) que tinha trabalhado anos como obstetra. Conversamos bastante e o papo com a médica me acalmou. Combinamos que eu relaxaria durante os próximos três meses, e que se não desse nada, eu voltaria lá pra fazer alguns exames. Coincidentemente, seriam também os nossos últimos três meses na NZ, antes de mudarmos de volta ao Brasil. Consegui mesmo desencanar. E nos três meses seguintes, ao contrário dos primeiros, eu logo tinha a certeza que não tinha engravidado.

Eu queria muito, muito chegar grávida no Brasil, poder já dividir a notícia com as pessoas pessoalmente (qualquer semelhança com a primeira gravidez não é mera coincidência!). Mas uma semana depois do período fértil no sexto mês de tentativa, como eu não tinha sentido nada de diferente, eu logo assumi que não tinha dado de novo. Bateu aquela tristezinha básica, mas bola pra frente. Nesse período pré-mudança de país, com mil coisas pra fazer, a verdade é que eu nem tive muito tempo pra ficar remoendo isso.

Até que chegou o dia de ficar menstruada e nada. Mas atrasos de alguns dias podem ser comuns... No dia seguinte, à noite, ao colocar o pijama, este raspa no meu peito e.....  aiiii, doeu! Opa! Entre todos os sintomas de gestação, o único que eu considerava exclusivo de gravidez era justamente a sensibilidade extrema nos mamilos, que eu não tinha de fato sentido nos meses em que achei que estivesse grávida! ... Será? E o medo de fazer o teste agora? Esperei mais uns três dias e resolvi encarar.

Era hora do almoço do dia 30 de agosto de 2013. Estávamos só eu e Caio em casa. Não demorou dez segundos pros dois risquinhos aparecerem no teste... e não demorou cinco segundos para as lágrimas caírem. Lágrimas que caem, que tombam, que me certificam de minha “habilidade física” divina de gerar uma vida, que me falam de minha “inclinação” para ser mãe mais uma vez, que me despertam este zelo instintivo, esta “diligência” natural que nós mães temos em relação aos nossos filhos. Novamente caio em mim, em minha vida. Sinto a sublimidade de um segundo tombo.

Viro para o Caio e digo: “Filho, a tua irmã chegou!”

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Caio, o poliglota

(a filmagem está bem amadora, mas a fofurice continua 100%!!)



E tem como uma mãe não se encher de orgulho da cria?

O que mais me impressionou é que, como bus, truck, horse, cow ele aprendeu primeiro em inglês, eu acabo usando essas palavras sempre em inglês com ele, pra me fazer entender e principalmente pra manter o inglês ao menos um pouquinho na vida do Caio, já que ele vai crescer no Brasil (a galera aqui de casa também tem usado essas palavras em inglês). Aí me pergunto de onde ele conhecia ônibus, caminhão, cavalo, vaca? Ele acertou na primeira vez que perguntei!


domingo, 15 de setembro de 2013

QUEM CANTA OS MALES ESPANTA

Eu sempre fui de cantar pro Caio.

Quando ele era bem neném, eu cantava “Se essa rua fosse minha” pra ele se acalmar e dormir.

À medida que ele foi crescendo, o repertório foi aumentando – Arca de Noé, Saltimbancos, as nursery rhymes em inglês... (sim, eu curto as músicas infantis!)

Desde o começo do ano, nas sexta-feiras, sempre que dá eu levo o Caio no “Rock&Rhyme”, que acontece em algumas bibliotecas públicas aqui de Wellington. É meia horinha de música, todas com gestos de interpretação – que as crianças a-do-ram –, sempre tem um instrumento musical (normalmente chocalhos, dos tipos mais variados) pra eles, e tem cinco minutinhos no meio pra leitura de um livrinho bem bacana. Evento gratuito. Abre parênteses: algo tão simples e tão legal; fico me perguntando por que não fazem isso no Brasil nas bibliotecas públicas ao menos... Fecha parênteses.

Mas o ponto em que eu quero chegar é que a música também tem sido uma ferramenta muito eficaz no trato de certas teimosias ou escândalos que os pequenos em geral fazem. Explico. Sabe quando os danadinhos não querem sentar no carrinho, por exemplo, porque não estão a fim de ir embora de algum lugar? Ou quando começam a chorar e teimar porque decidiram que o momento não é ideal pra trocar a fralda mesmo que ela esteja pesando toneladas de tanto xixi? Ou quando não querem vestir o casaco pra sair mesmo que lá fora haja um vento congelante dando a sensação térmica de que está ainda mais frio do que o frio que faz?

Pois é. Com o Caio, basta eu começar a cantar que ele fica pianinho e se comporta superbem! É sério, gente! Não falha NUNCA! É verdade que eu não sei até quando isso vai funcionar, mas por enquanto eu não posso reclamar! Uma belezura de técnica que eu queria muito que durasse pra sempre!

Não acredita? Está teimando comigo? ...... “Lá vem o pato, pato aqui, pato acolá! Lá vem o pato para ver o que é que há!” J



segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Caio, o tagarela

Semana passada teve reunião dos pais com os professores da creche do Caio. Quer dizer, reuniões! Porque foram individuais – de quinze minutinhos, só pra conversar mesmo! A professora principal do Caio (nesta creche eles chamam de “profile teacher”, pois é a professora responsável por observar mais o Caio, escrever as histórias do Profile book dele, etc.; na creche que ele ia ano passado, chamavam de “main caregiver”) é a Susanne, da Alemanha, uma querida!

Ela me disse que o Caio está bem integrado na rotina da creche, que as horas da refeição correm tranquilas, que ele come bem, que ele dorme sem problema, sem que precise ficar alguém com ele, que ele é bem auto-confiante, vai escalando tudo, logo se acostumou com a escada (uma escadinha pra chegar no jardim) e que ele é de explorar tudo, mas que as duas coisas que ele gosta mais realmente são a bola e os livros!

Ela falou tudo o que eu teria dito do Caio também; é bem como ele é em casa! Mas devo dizer que quando ela falou assim “a bola e os livros”, um depois do outro, juntinho na mesmo frase, eu me enchi de orgulho – uma atividade física e uma atividade intelectual!!! Óóóóóóó, que filho equilibrado! Hehehehe  

Teve outra coisa que ela falou que, aliás, eu já ouvi de todas as outras professoras da creche (ao menos de outras três): que o Caio fala bastante! Que ele é conversador, talkative, chatty! E é mesmo! No parque ele fala com as outras crianças e com os pais delas, no museu ele não pode ver um casal sentado descansando que ele pára bem na frente deles e fica olhando, provocando uma conversa, no café, se ele está num dia “bom”, pára em algumas mesas pra trocar uma ideia! Uma figurinha! Puxou ao pai nisso – sociável “no último”! Quanto a mim, quem me conhece, sabe: às vezes me dá uma preguiça de socializar...!

Então eu quero aproveitar que o assunto é o Caio tagarela pra registrar suas primeiras palavras. Eu comecei a lista há duas semanas e ela aumentou de lá pra cá!  É mesmo muito massa acompanhar esse desenvolvimento, né? Bom, taí: a lista das palavras que eu me lembro que o Caio sabe falar em 12/8/2013, do jeitinho que ele fala:

Mummy (tenho que começar com esta!)
Papi/papa/baba/paba
Manana (banana)
Macaca (macaco, mas ele sempre fala no feminino!)
Pupu (piu-piu)
Tao (Theo, o melhor amigo)
Taui (Taieri – pronuncia-se “Táiri”, o melhor amigo da creche, descendente de japonês!)
Uaua (cachorro)
Miau
Yummy yummy (comida – é como se faz em inglês quando a comida tá gostosa)
Pocu (Porco)
Mena mena (quando ele quer ver filminho; vem de “Mahna mahna”, o vídeo dos Muppets)
Uouó (vovó)
Uouô (vovô)
Uou-uou-uou (pedindo pra eu cantar a música “Row, row, row your boat...”)
Laila (o nome da cachorra dos meus pais – essa foi a primeira palavra que ele falou, aos 10 meses)
Pêssi (peixe)
Oio (olho)
Não  
Gol (bola)
Tao (tchau)
Neném
Abti/ábuti (abre)
Menena (menina)
Batata
Pata/pada (pato, sai sempre no feminino também!)
Po/bo/pao (pão)
Uaia (vaca)
Cacaca (lixo e afins)
Tratca (tractor)
Bee
Turtle
Bye/bye-bye
Baby
Bus


quinta-feira, 13 de junho de 2013

Carta

Caio, meu filho querido,

Tu estás tão fofo, mas tão fofo, que eu pensei que deveria te escrever uma carta pra registrar teu desenvolvimento!

É tanta coisa que nem sei por onde começar!

Bom, vais completar 16 meses daqui a dois dias!

Tu és o filho mais carinhoso que eu poderia ter. Eu ganho tantos abraços diariamente! O meu dia já começa bem, quando tu acordas de manhã e nos chama. Lá vou eu rumo ao meu primeiro abraço, com a cabecinha encostada no meu ombro e com direito até a tapinhas nas costas. Que delícia!

Tem também as vezes que te chamo pra vires me dar um abraço e tu vens correndo até a metade do caminho, depois dás meia volta e ficas rindo de mim! Repetes o feito quantas vezes eu te chamar! Achas engraçadíssimo ficar provocando a mamãe, seu sapeca! Até o momento em que eu não aguento e te agarro anyway!

Quando estás cansadinho, gostas de te aconchegar no colo da mamãe e ficar brincando com as minhas mãos, colocando elas no teu rosto, fazendo eu te fazer carinho! Também é só te pedir carinho que passas tua mãozinha macia no rosto da gente! A-mo!!

Tu adoras música e sempre danças quando a gente aperta o play! Coisa mais querida! Danças mesmo, com o corpo todo! É a mãozinha pra cima e pra baixo, a cabeça, dobras os joelhos como num reggae, não importa que estilo de música esteja tocando! Eu vivo dizendo que tenho que filmar isso, mas acabo me perdendo te apreciando e a câmera fica esquecida!

Outra coisa que tu adoras são teus livros! Não tem um dia que tu não passes um tempo folheando e refolheando vários deles. E contando as histórias às vezes à tua maneira! Quando é o da vaca, tu fazes “buuuuuuuuuu”! Viras a página e vês a ovelha: “bááááááááá”! Na parte do pato, tu falas  “atuuuuuuu”, que às vezes sai “aduuu”, ou “baduuuuu”, ou "cacuuuu", vais revezando nas consoantes! Também imitas o leão: rrrrrrrrrrrrrr, aliás faz tempo; foi o primeiro bichinho que aprendeste a imitar!

Embora na tua última avaliação pela enfermeira o resultado tenha mostrado que tinhas engordado mais do que crescido, cada vez alcanças mais alto, e tua nova mania é acender e apagar as luzes da casa! E se tu acendes e eu te falo “agora apaga”, tu obedeces, mas em seguida acendes de novo! Já estou até vendo que a conta de luz vai aumentar!

Também já não podemos deixar mais nada em cima da mesa, ou pia, perto da borda. Antes, quando a luz do cômodo estava apagada (nosso ap é um pouco escuro mesmo durante o dia), tu nem entravas. Mas agora perdeste o medo e entras no banheiro pra pegar o creme de barbear do teu pai a toda hora! Tenho mesmo que manter a porta fechada. Só não consigo manter a porta fechada quando eu quero ir ao banheiro! Sempre me segues! Se eu tranco a porta ficas chorando e batendo na porta do lado de fora. Se só encosto, abres a porta e ficas todo feliz de me ver ali... Saudade da minha privacidade! Hehe

Como já ficou claro, entendes muuuita coisa que a gente te fala, tudo que faz parte do teu dia a dia. Se te pergunto se estás com fome, ou tu vais em direção ao cadeirão, ou em direção à fruteira! Se te pergunto se queres água, pegas a tua garrafinha. Quando te convido pra lavar as mãos antes das refeições, te diriges ao banheiro. Se o convite é pra trocar a fralda, vais até o quarto. Quando pergunto “quem vai chegar?”, apontas pra porta e dizes “papaaaaaaaa”! Se te sugiro brincar com algum brinquedo específico, sempre o procuras, e viras as mãozinhas assim pra cima quando não o encontras, como quem diz: cadê?

Quando estamos comendo bergamota, pegas um pedacinho de casca da minha mão, vais até a cozinha e colocas no lixo, aplaudindo a si mesmo depois! Fazes isso pedaço por pedaço de casca! E nem fui eu que te ensinei, foi iniciativa própria!

Também é fofo demais quando pegas o telefone, colocas na orelha e ficas falando tua baby language, como que batendo o maior papo!!

Já brincas com carrinhos como um big boy, fazendo “vrrrrum, vrrrrrummmm” e empurrando o carrinho por aí!

Basta ouvires a palavra “bateria” que ajeitas as latas de leite vazias, pegas a pazinha de plástico e fazes o maior som!

Mas o teu brinquedo preferido é mesmo a bola. Gostas de arremessar com a mão ou então chutar, gritando “ooooooooolllll” na sequência!

Ahhh, e identificas várias partes do corpo: cabelo, nariz, boca, dente, barriga, mão, pé, bochecha, orelha, olho – esses dois últimos às vezes tu confundes!!

Estás entrando numa fase climber! Chegas a afastar a cadeira da mesa pra conseguir espaço pra subir. Outro dia pisquei e estavas em cima da mesa!

Enfim, eu teria ainda muito mais coisas pra contar! Mas isso já dá uma noção da tua fofurice!!

Te mando um beijo com a mão como fazes pra gente e me despeço aqui com bye-bye, tua primeira palavra em inglês!

My heart melts!

Mamãe


quarta-feira, 15 de maio de 2013

Caio, o indivíduo


Dizem que mais ou menos com um ano e meio, ou um pouco antes, a criança se dá conta de que é um ser separado da mãe, uma pessoa individual (e existe pessoa coletiva? Hehe). Li esses dias que um sinal de que isso já aconteceu é quando o toddler (palavra sem correspondente no Português – é o ser humanozinho de 1 a 3 anos de idade, ou seja, não é mais bebê mas ainda não é assim uma criança já grandinha, deu pra entender?!) se olha no espelho e se reconhece, não pensa que aquele é um amigo com quem ele pode brincar.

Parece que Caio já tem consciência de si. Quando perguntamos a ele onde está o Caio, ou ele toca em si mesmo ou vai até o quarto, puxa a porta e aponta pra sua imagem no espelho que ali está! Da mesma forma, se perguntar onde está o nariz da mamãe e onde está o nariz do Caio, ele saberá fazer a devida diferenciação!

Principal consequência dessa tomada de consciência? A ansiedade da separação! Ainda não consegui deixar ele na creche este ano sem que ele chore quando me despeço (tá certo, ele só vai duas vezes por semana e começou há um mês, mas mesmo assim!). Aliás, até pra eu ir ao banheiro aqui em casa tem chororô! Se ele estiver mais sensível por algum motivo (doentinho e tal), fica um verdadeiro chicletinho!

Só não sei com que idade isso passa. Já me disseram que pode durar até os dois anos de idade! Será? Como foi com vocês?

É... meu bebê está crescendo. Aliás, já nem é mais um bebê. É um toddler, uma pessoinha que não pára de descobrir o mundo e que já se descobriu como indivíduo.  

quinta-feira, 25 de abril de 2013

O momento certo (?) pra ter outro filho

Uma coisa (mais uma) me chamou a atenção quando estive há pouco no Brasil por três meses.

Quando eu falava pras meninas que já estava pensando no segundo filho, algumas vezes ouvi que eu era “louca”, que o Caio não teria nem tirado as fraldas ainda…

Outras vezes, quando o assunto nem era eu, também ouvi amigas dizendo que esperaram até o filho mais velho tirar a fralda pra ter o segundo, que isso era a condição básica pra elas.

Gente, não sei se sou a única que penso diferente, ou se ainda vou mudar de ideia, mas eu não acho a fralda todo esse big deal, não!! Trocar a fralda toma três minutos; é simples!

Pra mim o mais importante - no que se refere ao irmão - é que o filho mais velho (ou os mais velhos) coma e durma bem! Isso sim salva horas do teu tempo, isso é que faz diferença pra mim!

Claro, eu entendo que mesmo a criança que no geral come e dorme bem pode passar por fases mais turbulentas. Mas aí são fases e tudo acaba voltando ao normal. Ao menos com o Caio é assim.

E aí? Tô certa ou tô errada?


quarta-feira, 13 de março de 2013

UMA VISITA ESPERADA


Uma coisa que eu curto aqui da NZ é receber em casa a visita das community nurses. Explico. Aqui os bebês são acompanhados regurlamente por uma enfermeira comunitária, não por pediatras.

Elas começam a te visitar quando o bebê tem seis semanas (até então, a midwife é q vinha fazer o checking semanalmente), aí no começo tem mais ou menos uma visita por mês, depois passa pra uma dos 9 aos 12 meses, uma dos 15 aos 18 meses, e depois anualmente até os cinco anos de idade.

Se o bebê fica doente de algo que não é da alçada da enfermeira ou se elas mesmas notam alguma coisa no baby, ela ou te encaminha pro médico da família – um clínico geral – ou prum pediatra. Você pode solicitar que elas te visitem também, seja qual for o motivo.

Tem duas organizações do governo que prestam esse serviço, e as duas tem a mesma schedule. Na realidade a organização mais tradicional não vai na sua casa (só no comecinho, acho); você leva o bebê numa das várias sedes que tem na cidade. Além da enfermeira principal, você recebe visitas extras de uma segunda enfermeira, normalmente também consultora de lactação ou especialista em alimentação da criança desde o começo.

Bom, uma coisa que as duas sempre fazem é medir e pesar o bebê/a criança, e sempre rola um papo. E é esse papo que eu adoro! Elas sempre têm alguma dica legal pra te dar, por mais que você leia sobre o assunto, te dão o insight delas sobre a idade em que o filho está, enfim, sempre é proveitoso!

Hoje a minha segunda nurse veio aqui. Gosto como ela chega e se senta no chão, junto com a gente, tal qual um amigo íntimo o faria! Falamos sobre comida! Ela me deu o toque de colocar finger food dentro de um recipiente, e servir pro Caio assim, pra ele poder abrir, pegar a comida, fechar... Eu já tinha notado que ele adora abrir e fechar coisas, faz isso com brinquedos e tal. Mas nunca pensei em juntar isso ao comer. Eu colocava as uvas, a banana em pedacinhos, os gomos da bergamota na bandeja do cadeirão e o Caio pegava dali. Achei legal a dica dela!

E na conversa ela foi me mostrando outras possibilidades de comida, de brincadeiras e até uma possível rotina diferente!

Além de tudo isso, algo que conta bastante é o apoio emocional, acho. Eu sempre me sinto bem depois das conversas com elas, que geram certezas confirmadas e dúvidas solvidas. Fico me perguntando se quando a gente leva o bebê no pediatra aí no Brasil é assim também, se a mãe sai com esse sentimento de afirmação, com um maior entendimento da fase pela qual seu filho está passando e com uma expectativa ainda mais gostosa em relação ao futuro. Me contem, meninas! (e meninos! Sem preconceito!)

quinta-feira, 7 de março de 2013

A questão dos sólidos


Este post deveria ter sido escrito há muito tempo. Na pendência de escrevê-lo, o assunto ficou na minha cabeça e por isso resolvi publicá-lo mesmo já tendo discutido isso com várias mães em outras redes sociais.

Não existe maior diferença entre o Brasil e a Nova Zelândia no que se refere a bebês do que a questão da introdução dos sólidos.

No Brasil recomenda-se começar com suquinho natural e frutas. Aqui na NZ, ao contrário, a recomendação é não dar suco nunca, nem natural, por causa do açúcar, afinal as frutas também têm açúcar. Ainda mais suco na mamadeira! Diz-se que o bico acumula este açúcar e que, por isso, também não se deve deixar o bebê brincando com a mamadeira quando ele termina de tomar o que quer que se tenha dado a ele. Tudo isso pra evitar prejuízos na dentição principalmente. Eles sempre sugerem que se ofereça água, além do leite!

Além disso, aqui na NZ não se começa a dar papinha necessariamente de fruta. Prefere-se até que seja de legumes pra já não acostumar a criança com o docinho da fruta e correr o risco de ela não gostar dos vegetais depois. E as primeiras papinhas não têm mistura de ingredientes – o bebê vai experimentando uma coisa de cada vez, sentindo cada gosto individualmente. No Brasil, até onde eu sei, quando começa com vegetais, já é uma papinha salgada incluindo vários deles. Na NZ a ideia é que se dê a mesma comidinha de três a cinco dias seguidos. E daí vai trocando. Eles recomendam como primeiro alimento a batata-doce, o abacate (que pra eles não é fruta!), batata-inglesa, pêra cozida (se quiser começar com fruta)... a escolha na verdade cabe à mãe!

Então, imagina, o primeiro mês vai rapidinho nas papinhas feitas de um alimento só – Três dias cada uma, como eu fiz, e o Caio tinha experimentado pelo menos dez coisas diferentes: comecei com batata-doce, depois pêra cozida, abóbora, batata-inglesa, maçã (também cozida na primeira vez, por causa da consistência), cenoura, banana, mamão, abobrinha, abacate. Só depois disso é que comecei a misturar uma carninha com batata, depois um arrozinho com duas ou três coisas diferentes, até que finalmente eu estava dando a papinha salgada que também se dá aí no Brasil.

Aqui a gente começa com bem pouquinho – mais ou menos duas colheres de chá de comida e vai aumentando de acordo com a vontade do bebê. E só quando a quantidade chega a mais ou menos meia xícara é que se começa a dar uma segunda refeição por dia. Foi com oito meses que o Caio começou a ter café da manhã, almoço e janta. Mas acho que essa parte é parecida aí e aqui, né?

Pra quem quiser ter uma ideia melhor de como a questão dos sólidos é tratada na NZ, aqui nesse link tem um esquema bem bom, que dá uma noção da recomendação geral. É o arquivo “Guide to Baby Feeding”.

Enfim, eu vejo que, como tudo no tema dos bebês, não há uma regra única e cabe aos pais se informar sobre o assunto e tomar a sua decisão (que não tem que ser necessariamente a opinião do pediatra, mas isso é assunto pro próximo post). Conheço inúmeros filhos de amigas brasileiras que hoje comem de tudo – não foi porque começaram com frutinhas que deixaram de gostar dos vegetais. Abre parênteses: já no caso dos líquidos, eu vejo que o Caio toma água com muito mais vontade que a maioria dos brasileirinhos, e acho isso ótimo – fecha parênteses. Ainda assim, eu gosto do jeito neozelandês, e penso que pro próximo bebê vou fazer igualzinho! J

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

regozijo

re.go.zi.jo
sm (cast regocijo) Grande gozo; vivo contentamento ou prazer.


Bom, eu sei que já devo até estar ficando chata com tanto post tão “positivo” sobre a minha vida – e aqui vai mais um –, mas isso é retrato da fase incrivelmente feliz que eu estou vivendo no momento.

Venho pensando sobre isso. Acho que esse tipo de felicidade-intensa-e-completa-com-as-simples-coisas-do-presente eu só vivi uma outra vez na minha vida. Não, eu não tenho sido uma pessoa triste, pelo contrário. Mas eu tô falando de uma felicidade especial, não por um evento ou algo específico que aconteceu, mas pela vida em geral que se tem. É a felicidade – não a simples alegria – de olhar em volta e não ver nada pra resolver, nada pra decidir ou solucionar... já está tudo resolvido, tudo perfeito, funcionando smoothly, fluindo tranquilamente... é mesmo um contentar-se de contente... Tanta definição pra tentar colocar em palavras aquilo que se sente... e que sentindo se sabe (nos dois significados de saber!), se saboreia de fato.

Na outra vez que me senti assim eu morava em Madri. Foram aqueles três meses perfeitos, em que a vida te aconchega – o namorado tinha ido embora (e com ele um certo desequilíbrio que a situação me causava), a vida tinha toda se encaixado, morava do lado da universidade, tinha boas amigas, estava em outro país, aprendendo um idioma (coisa que amo) e tantas outras coisas... Eu me lembro de à noite estar na janela do flat, sorrindo, e minha flatmate perguntar o que tinha acontecido pra eu estar tão feliz. Eu pensava: “isso é muito bom! Como eu tô feliz aqui, não mudaria nada na minha vida nesse momento”. Então concluía que pra mim isso é que é Deus... a felicidade plena... essa energia, essa vibração.

E agora me sinto assim de  novo! Como descrevi em outro post, a rotina tá gostosa. E o Caio está demais! Cada dia com ele é tão prazeroso! Que privilégio acompanhar de pertinho o desenvolvimento de  outro ser humano, desde o começo (pareço uma cientista louca falando assim?). E bebês são criaturas incríveis, né? Tô amando! On top of that, pensar que daqui a pouco estaremos no Brasil!

Olho em volta e me regozijo!

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Música, pra que te quero


Normalmente quando coloco o Caio no trocador, por exemplo, e ele reclama, é só começar a cantar que ele pára de “miar” e sorri. É tiro e queda – ele começou a reclamar, seja por que motivo for, eu canto, ele pára.

Eu costumo cantar as “nursery rhymes” que aprendi com um brinquedo que ele tem que canta várias. Essas são as preferidas dele. Mas cantar sempre as mesmas enjoa, né? Então às vezes eu canto uma Marisa Monte, Céu... E foi aí que eu percebi como a música estava faltando na minha vida. Digo, a minha música! Porque simplesmente eu não conseguia lembrar quais as músicas que eu curtia cantar, e a letra também falhava. Me toquei que quando eu dava play era só Arca de Nóe, Bossa Nova para Bebês, Saltimbancos...

Comentei tudo isso com o De, e decidimos que isso tinha que mudar. E mudou! Não que a gente não coloque mais a música do Caio. Isso continua. Mas agora toda a manhã a gente liga a nossa música pra começar bem o dia – um reggae, um Ben Harper, uma das minhas cantoras... E no decorrer do dia quando o Caio está acordado também!

Ufa! Que alívio! Parece que nossa vida ganhou ainda mais qualidade!

O próximo passo nesse sentido é ir pro Brasil e voltar a ter rodas de violão como uma constante na minha vida! Depois das pessoas, é disso que eu sinto mais falta aqui na NZ.
Amigos/primos músicos (que por sorte são vários!), preparem-se que eu quero muito ouvir vocês! 

domingo, 30 de setembro de 2012

What a wonderful world


Ter filhos reacende na gente a esperança na humanidade. E se você é desses que acredita na bondade natural do ser humano, como eu, ter filhos faz aumentar a fé. Gentileza por parte de conhecidos e desconhecidos passa a ser parte do dia a dia.

Eu e Caio vamos pra universidade às vezes a pé (uma caminhada de 25 minutos), às vezes de ônibus. É uma beleza pegar bus aqui. Nada de superlotação, espaço pro carrinho (que é o mesmo reservado pra cadeira de rodas), pra descer não é preciso levantar do banco antes de o ônibus parar no ponto... Aí pra sair do bus, por causa do carrinho eu me acostumei a ir de costas, pois apóio as rodas traseiras na calçada e aí fica fácil manipular o restante. Acontece que quase sempre alguém se oferece pra me ajudar. Fico até sem graça de dizer que não precisa, que eu já peguei a manha, etc. Quando a pessoa que salta na minha frente já vai se virando, eu já nem me coloco de costas, deixo ela me ajudar, agradeço e acho que a pessoa fica contente também!

Além disso, nunca recebi tantos sorrisos gratuitos de desconhecidos. Pode ser uma mãe empurrando seu bebê, ou uma mulher qualquer – engraçado que os homens não riem assim pra gente; são mais as mulheres mesmo –, de todas as idades!

Tem até aquelas vezes que as senhoras passam por mim, digamos no supermercado, e dizem que eu tenho um “gorgeous baby”.

Os conhecidos também ficam mais solícitos, ainda mais gentis.

Caminho por aí e inevitavelmente concordo com Louis Armstrong!

I hear babies cry...... I watch them grow 
They'll learn much more.... .than I'll never know 
And I think to myself ..... what a wonderful world! 

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Reconhecimento


Reconheço que tenho uma vida gostosa, uma vida que me aconchega...

Adoro trabalhar três dias de casa, me permitir trabalhar o tempo que quiser/der, ter tempo pra ajeitar a casa, interromper o trabalho quando meu bebê precisa de mim, tudo sem pressão...

Adoro trabalhar dois dias fora, me arrumar pra sair, ver outras pessoas, deixar o Caio na creche, onde ele desenvolve uma tamanha sociabilidade além de inúmeras outras habilidades, ser parte de um projeto de pesquisa, poder focar nisso sem interrupção por horas a fio...

Adoro ter tempo pras minhas terapias: a coletiva – dança – e a individual – cinema.

Adoro a sensação de acolhimento que meu pequeno flat me dá, a facilidade pra limpar, pra cozinhar e olhar o Caio ao mesmo tempo, a desnecessidade de ligar o aquecedor... adoro!

Adoro meu maridão parceiro pra caramba, pai admirável, carinhoso, participativo!

Adoro minha família, meus amigos!

Adoro a perspectiva de estar junto de muitos tão importantes logo, logo!

Reconheço que tenho a vida ideal pra mim.

Reconheço e agradeço.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Pensamento de ultimamente



Ter filho(s) é ter uma expectativa gostosa não apenas em relação a um momento pontual num futuro próximo, mas em relação a todo o futuro em si!

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Prometo que não dou um piu!


Esses dias aconteceu uma coisa engraçada, que nunca tinha acontecido antes.

À noite, o Caio vai pra cama umas 7h30. Isso sempre foi tranquilo – banho, mamadeira, historinha e berço. Ouvem-se uns “nhoim, nhoim, nhoim” dele tentando dormir, e então segue um silêncio, de quem caiu no sono.

Mas na segunda passada não foi assim. Chegamos normalmente até a parte do “nhoim, nhoim, nhoim”, mas em vez do silêncio, seguiu-se um choro forte, um choro cansado.

Como tínhamos tido um dia mais “difícil”, com direito a médico, garganta inflamada (a do Caio), febrinha e remédios, pensei que ele devia estar muito cansado e que não estava conseguindo dormir sozinho. Como já fiz em algumas raras vezes antes, decidi ajudá-lo – vou pegar o Caio no colo esta vez, pensei! (Em circunstâncias especiais, pegar o seu bebê no colo pra ele dormir não vai fazer ele desaprender a dormir sozinho! No dia seguinte tudo volta ao normal, como eu mesma já comprovei!) Bom, entrei no quarto, deitei ele no meu colo, sentei na poltrona, e nada... o choro não parava. Levantei, embalei... nada. Será que ele está com alguma dor? Mas ele tá todo medicado, tomou a mamadeira na boa! Segurei ele em pé e... ele parou de chorar. Acalmei ele assim e resolvi tentar colocar na caminha de novo. Abriu o berreiro! Peguei ele no colo, parou. E assim foi com algumas tentativas, minhas e do De.

Falei pro De que com dor ele não estava, se não ele não ia parar de chorar tão na boa quando a gente não está tentando fazer ele dormir... Como a janta já estava no forno, decidi trazer o Caio pra sala, colocar ele na cadeirinha de brincar, pra gente poder comer.

Gente, enquanto estava na sala, ele não chorou nem um minuto! Aliás, a verdade é que ele nem se mexia! Só os olhinhos atentos que iam do De pra mim, de mim pro De, enquanto eu terminava de preparar o rango e enquanto jantávamos. Ele não deu um piu! Parecia mesmo que tinha dito “se vocês me levarem pra sala, eu prometo que fico bem quietinho no meu canto!”

Passados uns vinte minutos, parecia que ele já estava bem. E como ele bocejava e tal, decidimos tentar o berço de novo. Foi só colocar ele lá que.... buáááá, buáááá, buááááá. Será que é fome?, pensei. Afinal, ele tinha tomado a mamadeira toda numa avidez...! Dei mais um pouco de leite, ele tomou tudo, li uma historinha de novo, pra fazer o procedimento pré-cama, coloquei no berço e... choro, choro, choro. Era só pegar ele no colo que ele parava.

O De sugeriu tentar na nossa cama, eu do ladinho dele. Coloquei ele lá. Enquanto eu botava o pijama, ele estava bem quietinho. Foi eu deitar e apagar a luz que.... sim, ele chorou de novo. Ele simplesmente não queria dormir!!

Aí o De trouxe o Caio pra sala e ficou sentadinho com ele no sofá, Caio brincando de bater numa caixa de lenço vazia, com aquele semblante de quem sabe que não deveria estar ali, mas que estava tentando não incomodar. Fiquei de cara!

Nisso já tinham passado duas horas! Até que às 9h45, quando o De tentou deitar o Caio no colo, ele aceitou, fechou os olhos, e dormiu. Colocamos ele no berço e a noite transcorreu tranquila como normalmente!

No dia seguinte, o De viajou a trabalho, pra ficar quatro dias fora. Me pergunto se os bebês têm intuição pra esse tipo de coisa, e se o que o Caio queria era passar mais tempo com o pai dele.

Ou então, o que terá sido? Ai, a maternidade e suas perguntas sem resposta...! J